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    As esganadas- Jô Soares/ Cia das letras



    Uma leitura diferente. Uma literatura brasileira incomum. Um escritor nada comum. Só poderia começar esta resenha desta forma, mostrando para vocês que o livro não é nada parecido com o que estamos acostumados a ler e resenhar aqui no blog.

    Sinopse:
    Como autor, essa sua maestria se expande: os tipos são postos no mundo e, mais do que no mundo, numa trama — e o seu criador (eu quase escrevi Criador, pois não deixa de ser um trabalho de deus) se solta. Toda a ficção do Jô é feita de grandes personagens envolvidos em grandes tramas. Os tipos e a trama deste livro são especialmente engenhosos e através deles o autor nos dá um retrato saboroso do Rio de Janeiro no fim dos anos 1930 e começo do Estado Novo — o Rio das vedetes que davam e dos políticos que tomavam, das estrelas do rádio e das corridas de “baratinhas”. E nesse mundo em ebulição chega uma figura portuguesa, saída de um poema do Fernando Pessoa, para elucidar o estranho e terrível caso das gordas desaparecidas que… Mas não vou revelar mais nada. Um dos prazeres da literatura policial é ir acompanhando o desvendar de uma trama, levados de revelação a revelação por alguém com a fórmula exata para nos enlevar — e enredar. No caso do Jô, quem nos guia é um autor que já provou seu domínio do gênero, e que aqui se supera na perfeita dosagem de invenção, humor e erudição que nos prende desde a primeira página, desde a epígrafe. Prepare-se para ser enlevado e enredado, portanto. E prepare-se para outras sensações. Só posso dizer que a trama deixará você, ao mesmo tempo, horrorizado e com fome. E que depois da sua leitura os Pastéis de Santa Clara jamais significarão o mesmo.

    Poderia falar que faz parte dos clássicos, mas não é para tanto. Ou talvez classificar como suspense, mas o assassino é descoberto pelo leitor logo no começo, então não tem nada que nos prenda até o final. O tema em si é tão cômico que nos deixa com a pulga atrás da orelha e nos desperta a curiosidade para terminar.

    A riqueza do livro está nas informações culturais e intelectuais da narrativa. Ao longo da história, o autor escreve frases e trechos em latim, alemão, espanhol e ainda utiliza gírias e palavras portuguesas. Por se passar na década de 30, considero a qualidade da ambientação muito boa, mas um tanto quanto rebuscada demais e com isso cansativa.

    Volto a dizer, vale pena ler só para matar a curiosidade dos assassinatos inusitados e para vivenciar um pouco da cultura brasileira daquela época. Existe um trecho no livro em que o autor narra um jogo da copa do mundo em que o Brasil perdeu para a Itália. Achei muito interessante ver como os locutores falavam dos jogadores antigamente.

    “ Romeu a Lopes Lopes avança pela lateral e chuta a gol o goalkeeper Oliviere salta e espalma para a linha de fundo” PP.116

    A capa é muito interessante e o livro é feito com aquelas folhas amareladas mais leves o que torna o livro ainda mais misterioso e prazeroso de ler. Em cada capítulo tem uma figura de algum objeto ou personagem que merece destaque. Podemos ver a bola daquela época, o bonde, a chuteira, uma freira. Enfim, várias coisas curiosas.

    Gostei do livro, mas não achei nada excepcional nem extraordinário. Peculiar, digamos assim!

     Nesta resenha avaliei o livro como narrativa e talz, não citei o nome do autor em nenhum momento para não misturar as coisas!