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    Minha Vida de Leitora

    Após uma conversa no twitter hoje pela manhã, senti uma vontade enorme de fazer esse post. Uma verdadeira nostalgia da minha vida de leitora e como tudo começou...

    Já falei algumas vezes que meus pais nunca incentivaram o hábito de leitura, pelo contrário, minha mãe sempre julgou livros como 'mais uma coisa para acumular poeira' e papai, errrr, não sei a opinião dele sobre o assunto. 
    Quero contar uma história que me marcou.

    Tenho um tio que casou tarde e morou muitos anos na casa dos meu avós, que era ao lado da minha. No muro que dividia as casas havia um portão e eu vivia na casa da minha avó, comendo bolo e sendo mal acostumada, hehehe. Meu tio tinha muuuuitos livros, uma estante cheia deles. Todas as cores e tamanhos. Uma coleção de capa laranja do Jorge Amado, novinha. Eu não gostava de ler na época, mas gostava de ficar olhando e tirando tudo para desarrumar, em especial aquela coleção. Lembro que ele dizia que eu não podia ler aqueles livros porque eram muito picantes para mim. Concordo tio, apoiado!

    Eu era bem novinha quando descobri um livro chamado A Casa Sonolenta (aqui, no SKOOB). Eu vivia para cima e para baixo com esse livro, rindo e falando o conteúdo da próxima página antes mesmo de virar. Sim, eu havia decorado todo o livro.

    'Era uma casa sonolenta, onde todos viviam dormindo. Quem diria que uma simples pulguinha saltitante pudesse acabar com todo o sossego num instante!' 

    Depois eu fui apresentada às histórias da Bruxa Onilda (aqui, no SKOOB). Guardava o dinheiro 'da merenda' para comprar os livros dela nas feiras que a escola organizava de dois em dois meses. Nossa, eu adorava procurar a coruja da Bruxa Onilda nas páginas... Eu estava na quarta série quando uma professora de Português, chamada Gislaine, finalmente inseriu o livro na minha vida! A proposta era... escolher um livro em casa e levar para a sala de aula. Ler e falar sobre o que leu para a turma. Mas não era de uma vez... eram 2 capítulos por apresentação. 

    Livro escolhido: Anarquistas, Graças a Deus - Zélia Gatai (aqui, no SKOOB). Claro que eu vivia atrás do meu pai fazendo milhões de perguntas. Ele dizia que eu não deveria escolher aquele livro. Mas alguém chuta o motivo da minha escolha? Lembram da coleção de Jorge Amado? Pois é. 
    - Paiê, o que é um anarquista? 
    E ele ficava horas me explicando e me fazendo perceber que eu seria uma verdadeira devoradora de livros um dia. Principalmente os  de cunho político. 

    Agora vem a parte trágica. Minha avó morreu e nós passamos a morar na casa que fora dela. Meu tio casou e deixou sua coleção de livros. Por algum tempo ela ficou lá na sala do andar de cima, enfeitando a estante. Eu ainda não lia aqueles livros, era nova demais para isso. Minha mãe estava sempre reclamando deles... Até que um dia, ela resolveu fazer uma enorme fogueira no terreno de casa. Sentei e vi todos eles arderem em brasa, um a um. Chorei. Por que não guardar, ou vender, ou doar?

    Esqueci os livros por um longo tempo. Até que outro professor, um grande mestre, por quem tenho um carinho absurdo, Roberto Bozzetti, me mostrou que literatura é o vapor que move a mente de um homem. Conheci Carolina (A Moreninha), Iracema e Macunaíma através dele e a partir daí nunca mais parei. Roberto tornou-se um grande amigo. 

    Foram muitos caminhos até hoje: já tivesse aversão a HP, já chorei com O Morro dos Ventos Uivantes - pelo menos umas cinco vezes - já li e reli todos os gêneros possíveis até formar meu perfil de leitora. Hoje leio o que me dá prazer, o que combina com meu estado de espírito no dia. 

    Acho que é assim que um leitor tem que ser, sem preconceitos. Não importa se é superficial, se é clichê, brega ou o quer que falem. O importante é como você se sente no mundo que o autor criou, especialmente para você. 

    Beijos que eu falei demais!