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    Dois dedos de prosa e 1 Pastel, com Pauline Alphen!

    Olá, leitores!!

    Hoje, eu tenho a honra de postar o quadro mais divertido da blogosfera com a escritora Internacional, Pauline Alphen! Estão vendo, que chique?!




    Pauline Alphen é brasileira, mas mora na frança. Este ano publicou o primeiro Livro das Crônicasde Salicanda – Os Gêmeos, pela Companhia das Letras no Brasil e tudo indica que leremos a continuação ainda neste semestre. Será?
    Em Junho será lançado o 3º livro da série na França e tenho certeza que será um sucesso! Se eu lesse em Frânces....

    Escolham seu pastel preferido e fiquem a vontade para degustar todas as respostas da Pauline! Aproveitem para aprender um pouquinho, porque as dicas e histórias são ótimas para quem está começando a escrever e acha que o mercado literário é “the flash”.

    Cardápio da entrevistada
    Nome: Pauline Alphen
    Blog: pauline-alphen.over-blog.fr
    Profissão: escritora
    Hobbies: leitura, leitura, viagem, viagem
    Um livro: “Orlando” de Virginia Woolf, “O senhor dos anéis” de Tolkien, “L’Enchanteur” de Barjavel…
    Um filme: “It’s a wonderful life” (“A felicidade não se compra” no Brasil), Franz Capra
    Uma música: brasileira
    Pastel preferido: hmm… difícil. De catupiry, de camarão, de carne, de legumes… Ai, muitos !


    R&L. Como foi o processo de criação da história?
    PA. Eu comecei a pensar nessa história em 2000. Eu já contei como “vi” os personagens principais do livro enquanto corria para pegar o ônibus e não vou chatear vocês repetindo.
    Percebi imediatamente que se tratava de um projeto complexo, com muitos personagens, um universo rico, uma trama com camadas. Necessitava tempo, muito tempo. E mergulho fundo, bem profundo. Na época, eu não dispunha do tempo que o projeto exigia. Então, enquanto trabalhava em outros projetos, fui anotando idéias para as Crônicas de Salicanda, durante… 7 anos. Eu achava que seria um livro que eu escreveria quando estivesse aposentada ! 
    Mas a vida, como ela adora fazer, deu uma guinada de 180° e, fiquei grávida pela segunda vez, desempregada pela primeira vez, mudei de cidade pela nézima vez (só notícias boas! SIC) e resolvi adiantar um pouco esse projeto já que era “impossível”. Escrevi uma sinopse e três capítulos. Foi com esse material que a Hachette me propôs um contrato para o que seria “Les Eveilleurs” na França. A partir desse momento, março de 2007, mergulhei completamente, entre 7 e 9 horas por dia, na escritura desse projeto…


    R&L. Quanto tempo você demorou para escrever o livro?

    PA. Como disse, o processo de criação do universo começou lá atrás e continua. Mas só comecei a trabalhar diariamente o primeiro volume das Crônicas de Salicanda em setembro de 2007. O livro saiu em setembro de 2009. Dois anos.
    O segundo volume saiu em novembro de 2010. Um ano.
    O terceiro volume deve sair em junho de 2012. Um ano e meio.

    R&L. Como foi criar um novo mundo em cima de um mundo velho?
    PA. Esse tipo de ficção oferece muita liberdade. O mundo conhecido e real pode ser o trampolim para pular, fazer figuras e mergulhar. Contanto que o universo que propõe seja coerente, contundente, crível, incrível, que dê vontade de entrar, viajar, ficar mais um pouco. Essa coerência dá trabalho e uma certa dor de cabeça mas é fundamental. Eu gosto dessa minúcia, de pensar nos detalhes de um mundo que não existe, nas emoções de personagens que não vivem. Para que se acredite neles. A primeira que deve acreditar, sou eu. Também é bem divertido decidir, por exemplo, quais serão os clássicos no século XXIII, inventar animais, árvores, frutas. Eu também brinquei, na versão francesa, com referencias da língua brasileira e palavras em tupi (no volume 2)… Eu trabalho nessa história há seis anos e, todos os dias, reencontro os personagens com o mesmo arrepio.


    R&L. As metáforas que você criou no livro são fantásticas e super profundas. Como: “De modo que estou falando como se estivesse escrevendo, examinando os horizontes descortinados por cada palavra." Ou os nomes das estações : Tempo Amarelo para o verão! E o Nômade da escrita! De onde veio a base e a inspiração para criá-las? 
    PA. Posso contar duas anedotas referentes ao nome das estações e aos Nômades da Escrita. 

    No século passado, em 1989, fiz com um amigo uma viagem maravilhosa de moto pela Toscana, na Itália. Lá pelas tantas, compramos quatro cartões postais que me impressionaram muito. De tão lindos e tão simples: um casebre no campo fotografado nas quatro estações, exatamente do mesmo jeito, com o mesmo ângulo. A casinha, o campo. Só. O que mudava era a cor: verde, amarelo, marrom, branco. Esses postais estão no meu escritório como uma lembrança de que a beleza pode ser muito simples.
    “Nômade da escrita” surgiu da vontade de fazer do escritor um itinerante. Para mim, viajar alimenta o processo criativo. Depois, eu vi que “Nômade de l’Écriture” que eu tinha inventado era o titulo de uma obra de Jephan de Villiers, um artista fabuloso que eu adoro. Eu tinha a reprodução dessa obra em casa, devo ter visto esse titulo e esquecido. Ou reinventado. A reprodução desse trabalho também está no meu escritório como uma lembrança que nada se perde, nada se inventa, tudo se transforma…


    R&L. Durante a leitura, notei a influência de vários livros famosos, mas a história do Senhor dos anéis não me saiu da cabeça. Você se baseou em livros de ficção e não-ficção para montar o cenário, os personagens e dar sentido ao tempo do livro?
    PA. Na verdade, se li todos os livros que cito não me baseei neles livros que cito. Não pensei neles enquanto escrevia, senão para homenageá-los. Mas alguns desses livros foram determinantes para a leitora e a escritora que sou. O Senhor dos Anéis, eu descobri por acaso na biblioteca do Liceu Pasteur (São Paulo) aos 14 anos. Eu nunca tinha lido um livro assim, esse tipo de ficção. Eu o releio quase todos os anos :)


    R&L. O que os personagens têm de Pauline e o que Pauline têm dos personagens?
    PA. Tudo ! Nada… Quando não penso neles, não os vinculo a Pauline nem a ninguém. Confesso, penso neles como se fossem reais, sabendo que não são… A deliciosa esquizofrenia do escritor ...


    R&L. Agora vou acrescentar umas gotinhas de pimenta bem forte ao seu pastel e fazer a pergunta final. 
    Se você pudesse levar um personagem do livro para jantar nos “ Tempos de Antes” qual seria?
    PA. Hmm… Difícil… Levaria Deli ou Chandra se elas fossem cozinhar. Maya se quisesse conversar de literatura. Bahir para que me contasse dos Tempos de Antes. Os gêmeos e Ugh para saracotear. Merlim para fazer um carinho. Blaise para uma conversa divertida. Eben para cavalgar. O ideal seria tê-los todos por perto !

    Obrigada pela entrevista, Carol, e parabéns pelo blog !
    Aproveito a oportunidade para dar o endereço do meu, dedicado aos leitores que podem deixar comentários, perguntas… Escrevo artigos contando do processo de escritura ou da vida. Posso atrasar um pouco mas respondo a todos, um por um. Só há um artigo em português (Bem-Vindos) por enquanto mas escreverei outros se os leitores brasileiros aparecerem. Apareçam !

    pauline.alphen.over-blog.fr

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    Ficaadica!!
    Beijinhos,