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    A Última Carta de Amor - Jojo Moyes

    "[...] Mas, sendo muito honesta, a resposta é não. EU não penso nela e não me sinto culpada. Porque acho que isso não teria acontecido se eles estivessem felizes ou fossem... sabe... ligados."

    Jennifer Stirling acaba de retornar à sua antiga vida, após uma temporada no hospital recuperando-se de um grave acidente de carro que a deixou parcialmente sem memória. Por mais que ela tenha flashs de sua vida conjugal com Laurence, de seu seleto grupo de amigos e da senhora Cordoza, Jenny não consegue identificar o que falta em sua vida, o que falta para sentir-se completa.

    Seu marido Laurence é um figurão da alta sociedade e está sempre viajando a negócios para diferentes lugares no mundo, deixando-a em casa fazendo o que nasceu para fazer: receber, organizar os melhores jantares e dar ordens aos empregados. Um vida triste e solitária, é o que Jenny começa a acreditar ser a sua. Aos poucos, ela tenta recuperar a memória e enquanto organiza novamente suas coisas encontra um bolo de cartas assinadas por um homem: B. Tudo a leva a crer que tinha um amor fora do casamento. 

    Quatro décadas depois, Ellie Hawort vasculha os arquivos antigos do jornal Nation e encontra uma dessas cartas. Fascinada com a história que se apresenta diante de seus olhos, Ellie resolve ir mais fundo e procura saber o que aconteceu a esses protagonistas e talvez escrever a matéria mais importante de sua carreira como jornalista. 

    "A única forma de eu poder suportar isso é estar em um lugar em que não a veja nunca, em que eu não seja assombrado pela possibilidade de vê-la com ele. Preciso estar em um lugar onde a pura necessidade impeça que você ocupe cada minuto, cada hora dos meus pensamentos. Aqui isso é impossível." Homem para Mulher, por carta. 

    É nesse cenário que Jojo Moyes nos envolve em uma trama de amores impossíveis e casos extra-conjugais em diferentes tempos. Começo a perceber que é característica da autora explorar em seus livros o passado e o presente e ouso dizer que, nesse aspecto, A Última Carta de Amor se assemelha muito à outra obra que li dela: A Casa das Marés. 

    Há uma mistura entre o passado de décadas atrás e o atual. Jojo nos mostra a realidade de uma mulher da década de 1960, controlada por um marido e por uma sociedade que a suga. Ao mesmo tempo amargurada e infeliz, ela consegue encontrar forças para ousar e viver um novo amor. O mesmo se passa na atualidade. A bem sucedida jornalista Ellie mantém um caso com um homem casado, sem a menor culpa. 

    A última carta de amor está longe de ser um romance frívolo, pelo contrário, em alguns momentos a trama é bem densa. Quem não está acostumado à escrita da autora, pode considerar a narrativa um pouco cansativa e a história um tanto arrastada, mas eu já sabia o que encontrar. Me encanta essa característica da Jojo de sempre retratar os dois lados, de mostrar que por mais que o tempo passe, algumas coisas simplesmente se repetem. 

    Recomendo a leitura, mas aviso, Jojo Moyes tem um jeito peculiar de escrever seus romances. Mesmo com toda sutileza de suas colocações e uma proposta diferente e interessante, pode ser que ela não o agrade por completo.