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    A Menina que não queria ser Top Model - Lia Zatz


    "O equilíbrio ainda é instável, todos parecem estar caminhando sobre ovos e a vida vai seguindo um rumo tortuoso." Página 13






    O que fazer quando sua mãe já traçou todos os planos para a sua vida, mesmo antes de você nascer? Quando ela já escolheu sua carreira, e pior, já batalha por ela mesmo antes que você consiga andar ou falar? E se, para piorar, sua mãe a considerar a pessoa mais azarada do mundo só porque você nasceu em uma sexta feira, 13 de agosto? 

    A vida não era nada para fácil para Vitória, ainda mais agora que saíra do hospital onde ficou 20 dias internada. A experiência foi realmente terrível, estar tantos dias naquele lugar horroroso, vendo mulheres entrando e saindo enquanto ela continuava ali, em recuperação. Sim, ela estava doente. Toda vez que comia, corria para o banheiro para vomitar e isso acabou com sua saúde. 

    Agora, Vitória tem que frequentar um grupo de reunião com os psicólogos do hospital, uma vez por mês - o que foi bom que ela enxergasse que existem outras meninas com o mesmo problema que ela. Os motivos são os mais diferentes possíveis e o da nossa protagonista é ainda mais inusitado. 

    Até onde você iria para desafiar uma pessoa que tenta controlar sua vida? O que você faria para impor sua vontade e fazer-se enxergar como uma pessoa de opinião própria? 

    "Mãe, eu estou com quatorze anos, cresci, não sou mais sua princesinha, você tem que arrumar um outro objetivo na vida, vê se se liga, cara!" Página 139

    A menina que não queria ser top model me surpreendeu. Não esperava que a densidade de assuntos familiares mal resolvidos e dramas alimentares fosse abordada de maneira  sutil e com uma linguagem tão fácil e simples. Os capítulos são intercalados entre a narrativa da Vitória, da mãe, e um narrador em terceira pessoa. Ao contrário do que sempre digo quando leio livros assim, esse não é cansativo. Adorei a maneira como Lia Zatz conduziu a história, mostrando ao leitor o ponto de vista de cada um dos personagens. A sensação era estar vivendo um verdadeiro debate entre mãe e filha que, embora vivessem juntas, eram verdadeiras desconhecidas uma para a o outra. 

    "A Vitória fica lutando contra mim, mas não percebe que está lutando contra ela mesma, E a psicóloga dá força pra ela. ME chamou para conversar três vezes e sempre pra me dar aula sobre o que é adolescência, o que acontece na adolescência, as inseguranças da adolescência, o papel dos pais em relação aos filhos adolescentes. Será que ela não percebe que eu também fui adolescente?" 

    Para meu deleite, minha opinião em relação à mãe de Vitória mudou totalmente no decorrer da leitura. Adoro quando um personagem muda minha maneira de enxergar e ganha a minha simpatia. Por mais que Virgínia seja uma mãe louca de pedra - e acreditem, ela é - entender um pouco mais sobre sua vida e tudo o que teve que enfrentar me fez abrandar a raiva e me colocar em seu lugar. 

    Outro ponto que não posso deixar de comentar é a revisão impecável da editora e o cuidado com os detalhes. O livro é lindo e conta com ilustrações que conferem um charme todo especial e um ar descontraído e jovem. É tão gostoso folhear um livro tão caprichado, que parece ter sido feito sob medida para agradar ao leitor. AMEI. 

    Super recomendo!