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    Tequila, sexo e cavalos!

    A festa hoje é no apartamento de Paula, minha melhor amiga. Deve ter umas 30 pessoas nesse minúsculo apê, a música faz as paredes tremerem, e me pergunto como a síndica ainda não veio aqui e colocou todo mundo para fora do prédio. Tamanho é o barulho!
     
    Algumas pessoas dançam, outras falam pornografia ou contam piadas sem graça, e tem aquelas pelos cantos se agarrando. Pressinto que a qualquer instante vou presenciar um momento de orgia bem desagradável, e ai terei a plena certeza que não deveria ter vindo a essa festa, que deveria ter ficado em casa com meus filmes melosos, um pote de sorvete e meu lamento por só ter cavalos em minha vida.
     
    Estou com um copo de tequila na mão, finjo que bebo, finjo que estou me divertindo. Dou risada das piadas e escuto com atenção as minhas amigas falando de sua vida sexual tão ativa. Fico quieta, porque se tem uma coisa desativa é a minha vida sexual. Qual foi a última vez mesmo que fiz sexo?
     
    Cruzo as pernas, solto meus cachos, dou um trago na tequila e olho a volta procurando uma vítima. Louca pra achar mais um cavalo, louca pra dar em cima dele só pra dar risada. Me insinuar e na hora que ele pensar que vai me levar pra cama eu cair fora rindo igual louca no meu salto agulha. 
     
    Dou uma volta pelo apartamento, paro na varanda olhando pro céu, lá embaixo a Avenida Paulista ainda é movimentada, mesmo depois das 4 da manhã. Me apoio no peitoril e acendo um cigarro (eu não fumo, mas na situação de hoje um cigarro me fará muito bem), contemplo de novo o céu, dou risada, na verdade gargalhadas, pensando se existe uma pessoa mais solitária que eu. Me viro, tragando meu cigarro e bebendo uma dose de tequila, dou mais risada ao perceber que você está na porta, me olhando sério. Pergunto "O que foi nunca me viu?" Uso o tom sexy, pra ver se saio dessa abstinência sexual e a gente vai ao banheiro dar uma boa trepada. Você sorri e todo o seu rosto se ilumina. Fico sem graça e quase derrubo o copo de tequila. Em determinado momento mato a esperança que cresce dentro de mim e digo que não encontramos príncipes em festa, só cavalos
     
    Você chega perto, de fininho, tira o copo de tequila da minha mão e segura minha cintura, me apertando contra o peitoril. Dou uma risada sarcástica evitando o beijo, mas no fundo estou louca pra você ser o príncipe que tanto peço a Deus. Me olhando, pergunta: "Não quer?" Minha vontade é responder que preciso disso, preciso te querer, aliás, acho que você ficaria lindo na minha cama, com seu peitoral a mostra, bagunçando meus lençóis e deixando seu cheiro no meu travesseiro. Mas, só respiro fundo e digo: "Chega de cavalos que só querem sexo!" e saio andando, sorrindo por dentro por ser tão má às vezes. Dou um beijinho na Paula, digo que foi a melhor festa de todos os tempos, tiro meu salto agulha vermelho, coloco meu fone com The Beatles tocando "don't you know I mean boys" e vou quase dançando terminar minha noite perambulando pela Avenida Paulista. Vai que numa esquina dessas eu me deparo com o tal príncipe.