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    Uma garrafa no mar de gaza - Valérie Zenatti - Editora Seguinte



    Sem sombra de dúvidas Uma garrafa no mar de Gaza é um livro diferente e extremamente crítico. As cartas trocadas pelos dois personagens principais nos mostram a realidade da vida em Israel e na Faixa de casa. Apesar de terem sido escritas em meados de 2003 ainda são  super atuais, por conta da rivalidade entre judeus e palestinos que parece não ter fim.

     Sinopse: Um homem-bomba se explodiu dentro de um café em Jerusalém. Seis corpos foram encontrados. Uma garota, que se casaria naquele dia, morreu junto com o pai "algumas horas antes de vestir seu lindo vestido branco". E Tal não consegue parar de pensar em tudo isso. Tal é uma israelense que, como toda garota de dezessete anos, vive suas primeiras experiências - o primeiro grande amor, as primeiras escolhas profissionais e também o primeiro atentado. Depois de vivenciar esse momento trágico, ela escreve uma carta a um palestino imaginário, coloca em uma garrafa e pede ao irmão, que presta o serviço militar perto de Gaza, para lançá-la ao mar. Algumas semanas depois, recebe a resposta de um certo "Gazaman"...

    O livro é pequeno, mas o conteúdo das cartas trocadas por Tal e o *menino misterioso* de Gaza é muito grande. As tristezas, as frustrações, as lutas, o pavor de ver seu povo sofrendo e as explosões de homens bombas são bem reais e significativos. O livro não é pesado, nem muito triste. Ele é esclarecedor e muito interessante, muitas vezes, chega a ser leve e romântico.

     É bom olhar para um conflito tão presente na nossa sociedade através de outras visões. O melhor, o livro mostra a visão de dois adolescentes que vivem em lados opostos. Por isso, a leitura não fica maçante em nenhum momento, pelo contrário é até bonito de ver a amizade e o amor surgindo diante da mesma tristeza. Tal  Levine e o menino misterioso aprendem durante o livro que todos sofrem com a guerra entre Israel e Gaza, porque quando você fica isolado em uma cidade é bem mais fácil culpar o outro pelas mortes e pelas desgraças.

    Trecho importante do livro da página 46: 

    “ {..} Essa é a primeira opção, a mais corretamente aceita, que você vê na tevê, em que você com certeza acredita, que faz todos os garotos da Palestina parecem irmãos, substituíveis. Um deles morreu? Não faz mal, encontraremos trezentos mil dublês, trezentos mil figurantes que nada mais querem além de representar aquele papel. {...} Não existe mais o singular, eu, tu, ele, ela, só um plural : os palestinos. Os pobres palestinos. Ou malvados palestinos, talvez. Mas sempre um plural. Para os que nos amam sem nos conhecer, nunca somos um + um +um +um, mas quatro milhões. Carregamos nosso povo nas costas, isso, pesa, pesa, pesa, esmaga, dá vontade de fechar os olhos”

    Destaquei esse trechinho do livro porque ele é muito significativo para mim. A ideia central é muito forte e dolorosa, pois pensar que existe alguém em pleno século XXI vivendo preso numa guerra por territórios, por poder, por dinheiro. Enfim, tem muita coisa por trás disso, por isso vou focar no livro. A metáfora da última linha é bem impactante. Você ser responsável por tudo e fazer parte de um povo sem ter sua individualidade é muito ruim, ainda mais quando se é jovem.

    Quero deixar claro, que a escolha do trecho do garoto de Gaza não foi intencional, o mesmo ocorre em Israel, apesar da condição de vida deles ser um pouco melhor, assim como retrata o livro.Tal Levine, pode circular pelas ruas  com mais liberdade. Já o garoto, não. Em Gaza o regime me pareceu ser mais rígido, até mesmo pelos costumes muçulmanos.

    A capa não é a coisa mais atraente do mundo, mas não olhem para a capa! ahuahua Prestem atenção no conteúdo!

    Adorei o livro. Recomendo e confesso que fiquei com vontade de ler mais. O final terminou muito de supetão. Levei um susto quando as páginas acabaram, queria mais!
    Uma garrafa no mar de gaza também é um filme. Quem quiser conferir o trailer é só clicar AQUI. Só não tem legenda :/ 

    Para quem gostou tem o primeiro capítulo do livro AQUI. 

    Beijinhos,