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    Barba ensopada de Sangue - Daniel Galera - Cia das letras



    Sabe aquele livro que você olha e já diz de cara que é muito diferente de tudo que você está acostumado a ler. Então, Barba ensopada de sangue, já assusta pelo título e pela agressividade da capa, mas é tão especial e louco que você entra na história pensando em passar por ela sem se envolver, só que não consegue e quando vê já está até sonhando com o personagem principal.

    A narrativa é em primeira pessoa, então dá para perceber logo de cara que vamos saber um pouco dos sentimentos do personagem que é intenso, solitário e confuso. Uma coisa curiosa é que ele não tem nome. Pelo menos não é citado, não que eu me lembre. Tentei até procurar algum trecho, mas o autor só o identifica por apelidos relacionados a sua profissão, ou as suas características físicas. Para mim foi um jeito de o leitor enxergá-lo da forma como ele enxerga as pessoas. Ele tem uma doença rara que não o deixa memorizar rostos, por conta disso, anda com uma foto sua na carteira.

    O livro começa de uma forma trágica e cômica ao mesmo tempo.O personagem principal se depara com um pedido totalmente inesperado. O pai vai se matar e quer que o filho sacrifique a cachorro de anos para que ambos possam morrer relativamente juntos. Só que o filho não aceita, mas ao longo da tensa conversa ele vai entendendo os motivos do pai e fecha os olhos para a morte. Entretanto, após o suicídio ele decide ir atrás do avô que foi morto misteriosamente na cidade de Garopaba há alguns anos, mas descobre que mexer no passado pode ser perigoso e doloroso.

    Gostei muito do ambiente da história e do regionalismo muito presente em toda narrativa, tanto nos diálogos quanto nas descrições dos personagens.  Santa Catarina é o Estado escolhido pelo autor em conjunto com Porto Alegre. Eu não havia lido muitos livros com gírias gaúchas e costumes do Sul, como tomar chimarrão e chamar as pessoas de Tú, guria e etc.. Muito interessante e diferente. Às vezes é bom sair um pouco da mesmice do meu carioquês.

    A pontuação do livro e a forma como os diálogos são dispostos são um charme a parte. Em um primeiro momento eu estranhei a falta de vírgula atrás de um mas ou a falta de travessão ou aspas antes de uma fala. Depois eu fui percebendo que era estilo do autor e fui entendendo o que ele queria. Realmente, a trama narrada deste jeito passa muito mais veracidade e é mais visceral. O travessão é o protocolo, mas muitas vezes corta a história e nos carrega para uma outra realidade. A falta de uma divisão de falas me permitiu refletir mais sobre a história e a enxergar a visão do personagem.

    Mais uma vez Daniel Galera me surpreendeu e meu deixou focada na história, que não tem nada de extraordinário, mas é tão chocante e dramático que o leitor fica inebriado até acabar o livro, que por sinal, nem posso comentar muito, mas o que foi aquele final?

    Recomendo o livro! É muito bom e diferente. Um dos meus autores nacionais favoritos! Agradeço a Cia das letras pela oportunidade de ler Daniel Galera se não fosse por vocês eu nunca compraria um livro dele!

    Ps: O meu exemplar é o da capa vermelha! Vi nas livrarias a capa do livros nessas três cores! Muito legal!


    Sinopse:Neste quarto romance de Daniel Galera, um professor de educação física busca refúgio em Garopaba, um pequeno balneário de Santa Catarina, após a morte do pai. O protagonista (cujo nome não conhecemos) se afasta da relação conturbada com os outros membros da família e mergulha em um isolamento geográfico e psicológico. Ao mesmo tempo, ele empreende a busca pela verdade no caso da morte do avô, o misterioso Gaudério, que teria sido assassinado décadas antes na mesma Garopaba, na época apenas uma vila de pescadores.Sempre acompanhado por Beta, cadela do falecido pai, o professor esquadrinha as lacunas do pouco que lhe é revelado, a contragosto, pelos moradores mais antigos da cidade. Portador de uma condição neurológica congênita que o obriga a interagir com as outras pessoas de modo peculiar, o professor estabelece relações com alguns moradores: uma garçonete e seu filho pequeno, os alunos da natação, um budista histriônico, a secretária de uma agência turística de passeios. Aos poucos, ele vai reunindo as peças que talvez lhe permitam entender melhor a própria história.

    Beijinhos,