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    PoesiaDay - Luís Vaz de Camões



    Olá, leitores

    Hoje resolvi inovar e trazer algo diferente para os meus leitores. Vimos muitas resenhas, lemos muitas crônicas, mas pouco exploramos as poesias nesse universo da blogosfera. Pensando nisso, montei um post especial sobre Luís Vaz de Camões um poeta que dispensa apresentações.

    Estou fazendo uma pós- graduação de Literaturas da Língua Portuguesa e quero compartilhar com vocês um pouco do que estou aprendendo. A primeira aula foi sobre o “O Amor e o Desconcerto do mundo”. Na época, o Barroco ainda era muito presente e nasciam muitas ideias Renascentista. Camões faz parte do movimento Maneirista que questiona o amor até então proibido pela igreja. Amar só a Deus, pois o homem tinha que pagar penitência pelos seus pecados. 





    Um das poesias mais famosas de Camões que foi musicada por Renato Russo mostra bem o desconforto do escritor perante o amor, mas deixa claro o seu sentimento. Tudo muito bem mascarado.Naquela época amar era heresia e forca.

    Amor é um fogo que arde sem se ver;

    É ferida que dói, e não se sente;

    É um contentamento descontente;

    É dor que desatina sem doer.

    É um não querer mais que bem querer;

    É um andar solitário entre a gente;

    É nunca contentar-se e contente;

    É um cuidar que ganha em se perder;


    É querer estar preso por vontade;

    É servir a quem vence, o vencedor;

    É ter com quem nos mata, lealdade.


    Mas como causar pode seu favor

    Nos corações humanos amizade,

    Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


    Vocês já pararam para imaginar uma vida sem amor? Ou uma vida reprimindo o amor? Imaginem o sofrimento do autor e a satisfação ao descobrir o que é o amor!

    Para terminar, deixo vocês com outra poesia também famosa do autor que tem um dos versos finais mais bonitos que já li. Para mim a definição de amor é exatamente isso:


    Busque Amor novas artes, novo engenho,

    para matar me, e novas esquivanças;

    que não pode tirar me as esperanças,

    que mal me tirará o que eu não tenho.


    Olhai de que esperanças me mantenho!

    Vede que perigosas seguranças!

    Que não temo contrastes nem mudanças,

    andando em bravo mar, perdido o lenho.


    Mas, conquanto não pode haver desgosto

    onde esperança falta, lá me esconde

    Amor um mal, que mata e não se vê.


    Que dias há que n'alma me tem posto

    um não sei quê, que nasce não sei onde,
    vem não sei como,e dói não sei porquê
    Última curiosidade! Vocês sabiam que nesta época os autores não colocavam títulos nas poesias. Para achar uma obra temos que usar o primeiro verso.

    Beijinhos,

    Espero que tenham gostado, amado, se emocionado com a nova coluna :)