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    Ensaio sobre a cegueira - José Saramago - Cia das Letras


     
     
    Sinopse:
    Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O "Ensaio sobre a cegueira" é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".

     
    Antes de ler a resenha apague a luz do se quarto, olhe para a lâmpada e ascenda de novo! Fez isso? Sentiu uma cegueira brilhante e branca? Pronto! Agora você vai entender melhor a agonia e o sofrimento dos personagens deste livro. Ensaio sobre a cegueira é realmente sensacional! Tanto o livro quanto o filme!


    Eu nunca tinha lido nada de José Saramago, mas sempre ouvia muito sobre ele. Até que resolvi ler de uma vez o livro de um filme que mexeu comigo. As pessoas comentam muito que o autor escreve parágrafos extensos e não usa as regras tradicionais de diálogos, por isso dizem que o texto é cansativo. Abri o livro cheia de preconceitos, mas abandonei todos, assim que li a primeira página e me apaixonei pela escrita. Foi amor à primeira leitura! rs Eu me senti dentro da história, absorvendo cada segundo e muitas vezes me senti cega. Entrei no livro de tal forma que foi difícil sair depois. A leitura é muito envolvente!
    José Saramago é realmente um escritor brilhante e tem um jeito único e original de escrever! É muito difícil entrar na vida dos personagens e mostrar o sofrimento de perder a visão de uma maneira leve, mas ao mesmo tempo estressante. Saramago vai traçando um panorama de destruição e sabedoria incríveis. Se eu não tivesse visto o filme antes, teria sofrido muito mais. Pelo menos eu já sabia o final!

    Eu li com tanto prazer que eu não sabia nem quando terminava um capítulo, quando começava. Ia lendo sem parar, devorando cada momento dos cegos, cada sentimento, cada sofrimento. Gritei, me indignei, morri de nojo, sorri, tive raiva da rapariga de óculos escuros e torci o tempo todo pelo rapazinho estrábico. Outra coisa interessante é que o autor não deu nome aos personagens, ele os chamava por uma de suas características quando visitaram o consultório do médico. Sem nome, você não tem rosto e como os personagens estavam cegos, me pareceu uma forma de mostrar que o nome não importa e sim o que você faz para sobreviver.

    Cada detalhe do livro tem um significado. A trama é muito bem construída, muito inteligente e traiçoeira também. Tem horas que levei rasteiras do autor, fiquei chocada com algumas situações cruéis e emocionada com outras mais humanas. O mais interessante é que Saramago frisa o tempo todo o significado da cegueira. Será que não estamos todos cegos faz tempo? Porque a doença pelo que entendi, veio do cérebro e nada teve a ver com os olhos. De repente, você acorda e vê tudo branco. Já pensou?

    Separei um quote bem marcante para encantar vocês:

    “Felizmente, como a história humana tem mostrado, não é raro que uma coisa má traga consigo uma coisa boa, fala-se menos das coisas más trazidas pelas coisas boas, assim andam as contradições do nosso mundo, merecem umas mais consideração do que outras” PP. 207

    A linguagem é um pouco diferente, porque o autor usa algumas palavras portuguesas, mas nada que incomode o leitor. A capa é simples, mas muito significativa. Cada vez que olho para ela imagino uma situação diferente do livro.

    Por fim, queria agradecer a  Cia das Letras por me oferecer esse livro. Se não fosse pela editora, eu não teria tido a iniciativa de ler e de descobrir um fantástico autor. Quero mais Saramago! #amodemais!
     

    Beijinhos,