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    Ligeiramente casados - Mary Balogh

    Mas quem disse que não pode se transformar em um casamento por amor? Afinal, você não está apaixonada por outro homem, apesar de todos os meus esforços para lhe encontrar um par durante o ano passado.
    Como uma boa amante dos romances históricos não pude deixar de ficar ansiosa por Ligeiramente casados desde que soube que a Arqueiro iria lançá-lo. Com uma capa linda e uma sinopse apaixonante mal pude esperar pra tê-lo em mãos e me deliciar com essa história tão linda e bem estruturada. 

    Eve é a filha de um mineiro muito rico, que apesar do seu dinheiro nunca foi capaz de fazer parte da aristocracia de verdade, o que era seu sonho. Eve porém nunca se importou com o prestígio disso e como resultado negou a todos os pedidos de casamento que seu pai queria mais que tudo que aceitasse. Após ficar doente, Eve abdicou de tudo pra cuidar dele até que faleceu anos depois, deixando um testamento em que toda sua propriedade ficaria no nome dela pelo período de um ano e, caso não se casasse dentro deste ano, passaria pra seu irmão Percy, que estava na guerra. 

    Apesar do sofrimento de ter perdido o pai Eve seguiu em frente e continuou tocando a vida, cuidando da fazenda, dos órfãos que moravam em sua casa e todos seus empregados, que eram mais como família. Sua personalidade bondosa e solidária era o que a diferenciava de todos por ali: era a única que se importava com os que viviam "à margem" da sociedade e os acolhia em sua casa se necessário. 

    Quase ao final do período estabelecido no testamento Eve recebe a terrível notícia de que seu irmão Percy faleceu em combate, e isso aliado ao fato de que seu amor, John, não voltou quando era esperado a deixou se sentindo muito sozinha e sem saber o que fazer, afinal segundo o testamento ela não teria direito a nada pois não havia se casado, e ao final tudo iria para seu detestável primo Cecil, que não se importava com ninguém e poria a todos na rua, o que era a maior preocupação de Eve. A única solução encontrada era se casar com o herdeiro do duque de Bewcastle, Aidan, que fora quem levou a terrível notícia do falecimento de seu irmão, e quem tinha um dever com ela por ter feito uma promessa a Percy. 

    O combinado era que se casassem com uma licença especial e após a data determinada no testamento, nunca mais se visse na vida. O destino porém tinha outros planos e eles se viram mais envolvidos do que gostariam. 

    Com uma narrativa fluida e característica de romances históricos, Mary nos leva por uma história linda e muito bem desenvolvida por sua parte. Diferente do que vemos muito por aí, o romance entre o casal não é apressado, e tudo acontece no seu devido tempo. Como os dois estão em um casamento de conveniência e mal se conhecem, todo o percurso que tem a traçar é um pouco mais difícil e demorado.

    Porém, conforme vão se conhecendo, descobrindo quem realmente são por trás das aparências, o romance começa a decolar e acompanhamos às lutas internas dos personagens com seus sentimentos, com seus princípios e com o que achavam que queriam da vida. 

    Eve é uma personagem de bom coração, que tem muita compaixão pelos outros e tende a ver o interior das pessoas e não o exterior. Sonhava com um casamento por amor e ter filhos e formar família, o que é, a primeira vista, frustrado por Aindan, que faz de tudo pra seguir seu dever e ser honrado que é o que mais preza. Fiquei admirada com a força de Eve quando tem que aprender a ser uma dama da aristocracia e mesmo assim não deixa que ninguém mande em sua vida, desafiando a todos e mantendo seus valores, mesmo que isso implique em não seguir uma regra ou duas.

    Eve, com sua força, amor e empenho em ajudar os outros, consegue tocar a todos a sua volta, inclusive os que parecem não ter sentimentos e serem feitos de pedra. Mesmo que ela agora faça parte da nobreza, Eve não esquece suas origens, e se mantém firme no que quer, deixando a todos (inclusive o leitor) admirados.

    Ao longo do romance vamos acompanhando as transformações que ocorrem em cada um, como se transformam em outra pessoa, e como amam um ao outro. Definitivamente esse foi um dos romances históricos que mais amei, pois com a relutância dos personagens e sua personalidade diferente, se tornou bem original em uma infinidade de romances históricos que têm sido lançados.

    Há ainda o fato de eu ter amado os personagens coadjuvantes, os cinco irmãos de Aindan. Me lembrou um pouco os Bridgerton, o fato de ser uma família grande, mas conforme acompanhamos o seus desenrolar é completamente diferente. Cada um tem uma personalidade marcante, e apesar de saber que se amam e cuidam uns dos outros, pra alguns deles isso não fica tão claro pela máscara de frieza que colocam. 

    No geral esse é um romance histórico que vale a pena ser lido. Os fãs do gênero vão amar a leitura e se deliciar com o "vai, não vai" dos personagens. Muito bem narrado, desenvolvido e estruturado, Ligeiramente casados é um romance pra dar suspiros e se agoniar cada vez que as coisas parecem que vão dar errado.

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    Beijos,