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    Outlander,a viajante do tempo|Diana Gabaldon

    "Jamais vou pressioná-la, nunca, ou insistir em saber coisas que são apenas suas - continuou ele, seriamente. Abaixou os olhos para as mãos, agora pressionadas uma contra a outra, palma com palma. - Há coisas que não posso contar a você, ao menos não por enquanto. E não lhe peço nada que não possa me dar. Mas o que eu lhe pediria é que, quando realmente me contar alguma coisa, que seja verdade. E eu prometerei fazer o mesmo. Não temos nada entre nós no momento, a não ser, talvez, respeito. E acho que o respeito pode ter espeço para segredos, mas não para mentiras."

    Claire Randall é uma ex-enfermeira que acabou de sair de um período de guerra, no qual ficou seis anos sem ver seu marido, Frank Randall, com quem é casada há quase 8 anos. Para recuperar o tempo perdido e restabelecer a relação, os dois decidem passar um período em Inverness, um lugar no qual Frank tem muitos antepassados sobre os quais quer aprender mais.

    Em uma dessas excursões, Claire conhece Craigh na Dun, um círculo de rochas muito antigo que carrega uma aura de magia, no qual antigos rituais ainda são praticados, e é lá que o acontecimento mais inacreditável da vida de Claire acontece: ela "desperta" na Craigh na Dun de 1743, no meio de conflitos entre escoceses e ingleses. 

    É no meio deste conflito que Claire conhece o antepassado de seu marido, Jack Randall, do qual tem que fugir após um ataque e como consequência é levada para o clã Mackenzie, onde encontra segurança, mesmo que limitada, e onde Claire começa sua trajetória.

    Em suas precisas 800 páginas, Diana Gabaldon nos transporta para uma era totalmente diferente com suas precisas descrições de costumes, cultura e cenários da Escócia. O livro todo, inclusive sua narrativa tem o poder de demonstrar exatamente a época em que se passa. A autora consegue inserir descrições de acontecimentos característicos da época, e mais especificamente da cultura escocesa, sem fazer parecer que é um tedioso livro de história, ou que são informações desnecessárias, jogadas na história a esmo.  Pelo contrário, todos os detalhes de uma punição por roubo por exemplo, ou superstições e lendas, são enquadrados com maestria à história e contados com muita veracidade. O livro é grande exatamente por isso, a autora não nos poupa detalhes da Escócia de 1743, criando uma cuidadosa ambientação, como se nos apresentasse aos costumes da época, assim como Claire está sendo apresentada.

    A própria narrativa tem esse "que" de histórico, e apesar dessa característica mais rebuscada que nos transporta para 1945, e em seguida para 1743, ela é fluida e dinâmica, sem nunca nos deixar entediados ou se tornar massante. Essa é uma das qualidades do livro, nunca ser chato, são 800 páginas que se lê brincando e sem vontade alguma de largar o livro por um momento sequer.

    Exatamente por ser um livro tão grande eu tive certo receio em me aventurar nele. É o tipo de livro que eu adoro, com uma temática até então inexplorada por mim, mas que mesmo assim me fez ficar com um pé atrás sem saber se teria ou não história suficiente para tantas páginas, mas me surpreendi com a dinâmica do livro. Diana transcorre a história lentamente, raramente fazendo intervalos muito grandes entre os acontecimentos narrados, e ela faz isso sem em momento algum tornar o livro cansativo ou massante já que que a cada novo dia da vida de Claire temos algum acontecimento novo, alguma nova informação, de modo que a história é fluida, apesar de toda a discrição feita.

    Há ainda o fato de que o casal protagonista forma uma ligação muito natural, sem ter nada forçado. Pelo contrário a relação deles se constrói lentamente, firmando suas bases na amizade e no companheirismo, para só então começar a florescer o amor. Os dois percorrem um longo caminho até perceberem e assumirem que o que tem é mais do que simples atração ou amizade, é amor puro e sincero.

    Além de tudo isso há ainda os personagens que são construídos com maestria pela autora. Cada um tem uma personalidade marcante, com uma característica que o distingue de todos os outros. Jamie é um personagem intenso, um típico escocês orgulhoso e corajoso, ao passo de que Frank é monótono e sem atrativos, e seu ancestral é cruel e sem compaixão. De qualquer maneira, cada personagem tem suas qualidades e defeitos, e são em sua maioria carismáticos ou no mínimo despertam o nosso interesse.

    O enredo é muito bem explorado pela autora, com todos os conflitos da época demonstrados de forma verídica, dando um ar de plausibilidade ao livro. Percebe-se claramente que o livro tem uma base de pesquisa muito bem feita, que vão desde a geologia da Escócia, a botânica medicinal utilizada por Claire.

    De todas as maneiras esse livro é perfeito, sem deixar brechas, com tudo muito bem explorado e desenvolvido. Os personagens, a narrativa, o enredo, a ambientação, é tudo brilhante e torna o livro ideal pra quem, assim como eu, gosta de romances históricos. Outlander se tornou sem dúvida o melhor livro do ano!

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    Beijos,