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    Mares de sangue - Scott Lynch

    "- Sabe de uma coisa? Eu apostaria que, contando as pessoas que estão nos seguindo e as que estão nos caçando, nós viramos o principal meio de emprego desta cidade. Toda a economia de Tal Verrar está baseada agora em foder com a gente."
    Resenha do primeiro volume aqui.
    Dois anos após todas as aventuras dos Nobres Vigaristas em As mentiras de Locke Lamora, Locke e Jean se encontram em Tal Verrar. Locke ainda se encontra desolado pelo que aconteceu em Camorr com seus companheiros de vigarices e o início do livro é Jean quem mantém a chama dos Nobres Vigaristas e é ele quem consegue puxar Locke e volta ao seu antigo eu e o incentiva a tramar o maior plano de todos.

    Ao invés de sossegarem e aproveitarem que fizeram sua fuga com sucesso de Camorr, ambos os amigos decidem arriscar um plano ainda mais perigoso que todos os anteriores tramados por eles: roubar a Agulha do pecado, a casa de jogos mais famosa de Tal Verrar. Se é pra roubar, tem que ser com estilo e algo que valha a pena.

    Claro que nem tudo poderia dar certo para os dois, ainda mais considerando que eles se envolvem sempre com gente de alto poder, e tanto velhos inimigos como novos resolvem aparecer para atrapalhar a vida e os roubos de Jean e Locke. Tantos que os dois tem que se virar em mil e dar conta de improvisar e mentir como nunca - habilidade que os dois tem de sobra, mas que é testada a todo momento durante o livro.

    Mais do que nunca Scott Lynch nos fascina com sua habilidade de criar cenários, descrever mundos complexos, construir personagens com personalidades peculiares e infinitas outras qualidades que esse livro tem. 

    A primeira coisa que me chamou a atenção, logo no primeiro livro e que se mantém nesse segundo é o modo como o autor consegue pensar os cenários, como ele (deve ter) tem tudo esquematizado na cabeça e nos consegue passar muito bem as descrições deles.

    Outra coisa positiva são os personagens. Cada um tem uma personalidade forte, marcante e diferente da outra. Cada um é interessante a sua maneira, e evolui durante a história. Somos apresentados a muitos outros personagens que não estavam no primeiro livro, já que Jean e Locke partem para explorar outros ares. Temos muita ação em navegações, por exemplo. Os dois personagens continuam sarcásticos como antes, com um vocabulário tão sujo quanto em As mentiras de Locke Lamora, o que encaixa perfeitamente no contexto de ambos os livros e das "profissões" dos personagens. 

    A qualidade das trapaças e mentiras é outra coisa que chama muito a atenção. Só de pensar que a mente de Scott foi capaz de produzir algo tão sutil e bem elaborado ao mesmo tempo (assim como acontece no primeiro livro) me faz achar que o cara é brilhante! A mente dele deve trabalhar a mil para conseguir criar personagens tão complexos e carismáticos, inventar cenários tão bem trabalhados e ainda elaborar uma trama tão envolvente e bem construída quanto essa. Ele é realmente muito criativo!

    A narrativa continua tão perfeita quanto no primeiro livro, sempre muito bem trabalhada e bastante envolvente. A diferença realmente de um para o outro é a história, que (obviamente) não poderia se repetir, e o fato de os dois protagonistas saírem se sua zona de conforto por um tempo e mesclar o velho (roubar e mentir) com o novo (a nova situação em que se encontram).

    O livro não deixa nada a desejar em relação ao primeiro, e para quem gostou da leitura e do universo criado por Scott Lynch não vai se arrepender de ler esse livro, que continua tão bom quanto! E pra quem não leu nenhum dos dois aqui vai a dica: super vale a pena, ambos os livros são muito bem pensados e escritos, todos dois surpreendentes à sua maneira!

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    Beijos,