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    Um dia - David Nicholls

    “Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse te dar só um presente para o resto de sua vida seria este. Confiança. Seria o presente da Confiança. Ou isso ou uma vela perfumada.”

    Emma e Dexter se conheceram em 14 de julho de 88 após a formatura, na qual passaram uma noite juntos, apenas isso, junto, abraçados e conversando. Mas o que era pra ser apenas uma comemoração os tocou mais profundamente do que se pode pensar, ou admitir. Eles tiveram uma amizade de anos, se tornaram confidentes, inseparáveis.

    Os anos passam e o romance nos mostra flashes da vida de ambos, sempre narrando o dia 15 de julho de cada ano. A vida de ambos não tomou o rumo esperado, e eles se sentem ainda muito perdidos, e durante essa trajetória se comunicam através de cartas e telefonemas e alguns encontros ocasionais nos quais contam suas histórias e desabafam suas frustrações. As viagens e festas de Dexter e a luta no trabalho de Emma. Com todas as suas diferenças eles construíram uma amizade insubstituível que só quando lhes é tirada percebem o quanto sentem falta um do outro. Aos poucos eles constroem um amor que não tem como não ver, embora eles não admitam um ao outro e deixam o tempo passar sem realmente aproveitar e só quando é quase tarde demais eles se dão conta do que tem. 

    Durante a narrativa entramos profundamente nas vidas de Emma e Dexter, suas angústias, suas frustrações, seus sonhos, suas realizações e seus sentimentos. Eles nos fazem rir em um momento pra poder chorar no outro. 

    Dex e Em, Em e Dex. 
    Vou sair um pouco do convencional e fazer dessa resenha um quase desabafo, bem emocional, porque é assim que o livro me deixou: emocional (TPM é assim, já fico melancólica normalmente, lendo um livro desses então acabo com o meu emocional, haha). É o tipo de livro que além de ser um passatempo e ter uma história linda, traz uma mensagem importante e te faz refletir sobre várias coisas, sobre a vida.

    Um dia é o livro que te faz pensar sobre o rumo da sua vida. Te faz pensar sobre todas as oportunidades perdidas, e sobre destino e amizade e amor. Mas acima de tudo sobre medo. Medo de se abrir, medo de tomar uma atitude, medo de estar errado e não dar certo, medo de dizer o que realmente sente. Um livro que te faz repensar tudo e querer fazer tudo valer à pena. Viver cada dia como se fosse o último. 

    O livro nos traz muitos questionamentos sobre a vida de Dex e Em, e sobre nossas próprias vidas. Será que poderia ter sido diferente? Tantos desencontros, perda de oportunidades. Toda vez que menciono a história tenho vontade de chorar e digo a mim mesma que quero aproveitar o máximo da vida e fazer tudo que eu tiver vontade. 

    O modo como o romance é narrado faz-nos identificar com eles. A perspectiva do futuro, a vida ‘real’, o que fazer de agora em diante, qual carreira seguir, se vamos casar e ter família, se vamos ficar sozinhos e em meio a tudo isso tem o nosso medo de admitir os sentimentos até pra nós mesmos. Alguns ainda passam por aquela ‘compulsão’ de jovem de querer se divertir, aproveitar a vida sem realmente se importar e ter responsabilidades etc. 

    Quanto a narrativa, esta pode ser um tanto arrastada no início, mas garanto que vale a pena insistir na leitura, pois a história do livro é sensacional, e pra mim, é o que mais importa.

    É um romance muito real, com personagens que poderiam ser nós mesmos, ou algum amigo, ou familiar, alguém com certeza já passou por essa experiência. Pessoas que buscam algo em comum: Ser feliz, mesmo quando essa felicidade ta do nosso lado e nos recusamos a vê-la. 

    Realmente nos faz pensar em tudo que podemos ter se tomarmos uma atitude e não deixarmos as coisas pra depois. Faz-nos pensar que não deveríamos esperar tanto, pois um dia pode ser tarde demais. 

    Dex e Em, Em e Dex. 
    Vinte anos.
    Duas pessoas.
    Um dia.

    Classificação



    Beijos,