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    Tudo Que Um Geek Deve Saber - Ethan Gilsdorf


    Por intermédio das suas reflexões e da viagem que decidiu fazer, Ethan Gilsdorf conta não somente a sua história, mas a da cultura pop. Jogador, na adolescência, de Dungeons & Dragons e fã de J. R. R. Tolkien, ele pegou a estrada para ir ao encontro de sua família. Nesse incrível tour, o autor viaja para a cidade natal do criador de D&D, Gary Gygax, veste uma fantasia para participar de um RPG e usa trajes medievais para encenar uma guerra em um encontro de nerds. Ao longo de sua jornada, Ethan ainda visita as obras do castelo francês Guédelon, uma incrível fortaleza medieval que está sendo construída hoje com os mesmos recursos utilizados no passado, e viaja para a Nova Zelândia, onde conhece as locações das filmagens de O Senhor dos Anéis. Nesta jornada, Ethan Gilsdorf, traz para a realidade a paixão pela fantasia e pelos jogos.

    Sabem quando um livro não é nada daquilo que você esperava? Então. Mas vou assumir a responsabilidade, pois me deixei levar apenas pelo título e não me preocupei em ler a sinopse antes. Mea Culpa. õ/

    Ethan inicia o livro contando a trágica história de sua mãe, que muda drasticamente após sofrer com a ruptura de um aneurisma e ter um lado do corpo paralisado, além de apresentar alteração psicológica. Essa transformação contribui para que Ethan, inevitavelmente, encontre um meio de fugir da dolorosa realidade. E isso só ocorre quando Ethan é apresentado ao jogo Dungeons & Dragons por um garoto da escola, sendo inserido sem saber no mundo Geek, que aos poucos - e com o decorrer dos anos -, Ethan caba por ser tornar um. Então, ele sai pelo mundo para viver aventuras, conhecer lugares incríveis e entrevistas jovens com gostos peculiares e taxados de estranhos pela sociedade. Ou seja, os geeks/nerds.

    O livro é bacana? Sim, tem uma escrita muito agradável, as descrições e experiência são, de fato, únicas e todo Geek fica se roendo de inveja por ele ter tido a oportunidade de explorar mundos os quais a grande maioria de nós quer conhecer. Entretanto, como disse ali em cima, eu não li a sinopse do livro e esperava encontrar um manual com enumerações de coisas que realmente todo Geek deve saber. Não que tenhamos que nos sentir na obrigação de saber tudo, mas era isso que eu esperava do livro.

    Por exemplo, tomei um basta susto quando ele menciona que a mulher que ela chama de "momster" (mistura de mãe e mostro em inglês) é a mãe dele, de fato. Ou seja, ele começou a narrar sua experiência e eu fiquei com a cara no chão. Me diverti sim, mas também me decepcionei. Isso não significa que não indico a leitura, muito pelo contrário. Agora que você (e eu) já sabe do que se trata, a leitura vai se tornar muito mais agradável e sem sustos. NÃO é um manual. hahaha

    Não me considero tão Geek assim, mas sou fã de O Senhor dos Anéis e de grande parte das histórias de fantasia. Adoro jogos de RPG (bem mais que meu esposo - sim sou casada, tenho quase 30 e sou mãe) e meus preferidos são God of War e The Last of Us. Meu tempo é bastante escasso e, mesmo esporadicamente, tento dar umas escapadas e ligar o Playstation antes de dormir. O lado ruim disso é que é como ler... Digo só mais uma "fase" e então as horas voam.

    Se você tem um lado Geek, tenho certeza que vai curtir o livro e indicar para os amigos. Se você é alguns anos mais novo (a) que eu ou o autor, vai ser bacana poder conhecer um pouco da evolução do termo e de como era ser um Geek/Nerd antigamente. Ethan é bem dinâmico e sua escrita leve se desenvolve naturalmente. Nada de texto maçante e cansativo. É bem bacana mesmo e traz diversas imagens ilustrativas.

    A lição de tudo isso? A vida real, até aquele momento, havia me ensinado que no mundo adulto o destino era caótico e incerto. As diretrizes para o sucesso eram arbitrárias. Mas no mundo do D&D, pelo menos, havia um manual. As minúcias das regras e a possibilidade de prever os resultados oferecia algum conforto. Por mais que fossem imaginários, os combates e a resolução de enigmas inerente ao D&D tinham consequências imediatas e palpáveis. Quando interpretávamos personagens, tínhamos o controle, e os nossos personagens - fosse ladrões, magos, paladinos ou druidas -perambulavam por lugares perigosos, e seus destinos estavam ostensivamente ao nosso alcance. Ao mesmo tempo, entendíamos que os fracassos e triunfos dos nossos personagens eram decididos por forças desconhecidas, malévolas ou benevolentes. Assim era a qualidade ambivalente da nossa vida no mundo da fantasia, onde a crueldade aleatória ou a sorte inesperada governavam o dia. O jogo era um campo de testes sem qualquer risco para fazer coisas de adulto. Era também um alívio poder viver a vida por baixo de outra epel e agir por trás da segurança de atributos ampliados.


    Avaliação:

    Beijão,