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    As cores, o tempo e nós - Beatriz e Manu

    As pessoas só morrem de amor em livros.Na vida, elas erguem a cabeça e partem para próxima.
    Em As cores, o tempo e nós conhecemos Rebecca, uma menina ruiva, um tanto quanto solitária, que afasta qualquer um que chegue perto demais dela e, como consequência, todos a consideram meio rabugenta. A única companhia que gosta de ter são os livros e seus desenhos, o que considera seu escape de uma realidade da qual não queria pertencer: uma avó com alzheimer e visões de um futuro que não pode controlar.

    A década é 60, e logo no primeiro dia de aula no internato Rebecca conhece o furacão moreno Helena, uma garota que não poderia ser mais diferente do que ela, e, talvez exatamente por isso, a intrigue de uma maneira inesperada. Helena é exatamente isso: um furacão. Inteligente, muito decidida e determinada quando quer alguma coisa, e talvez até um pouco mimada. A partir do momento que conhece Rebecca decide que quer desvendar todos os seus segredos e não para até que a Ruiva desiste de afastá-la e se rende a Morena. 

    A partir daí as duas desenvolvem uma amizade e uma cumplicidade raras, uma não conseguindo mais se afastar da outra, até perceberem que suas vidas estão entrelaçadas de maneira irreversível, e que uma não vive longe da outra. Até perceberem que há ali mais do que apenas amizade, e sim um amor puro, sincero e singelo. 

    Confesso que nunca havia lido um romance homossexual entre mulheres, e o livro, em um primeiro momento, me causou certa estranheza em partes mais calientes, por assim dizer. Porém, as autoras desenvolveram o romance de uma maneira tão sutil, tão natural, que é impossível você não se sentir tocado por um amor tão puro e sincero quanto o das duas.

    As personagens não poderiam ser mais diferentes entre si, enquanto Rebecca se aceita completamente como é, mesmo sendo problemática, Helena gosta e quer pertencer aos padrões, ela quer ser o que esperam que ela seja, mesmo que isso queira dizer se casar com o namorado de anos e ser a filha perfeita.

    Uma coisa que me encantou demais no livro foi a sutileza e delicadeza com que as autoras escrevem, deixando tudo muito natural, suave. Conforme vemos os dias, meses e anos passarem percebemos a evolução das personagens, como uma causa influência na outra, a fim de que ambas possam ser felizes juntas. Nada é forçado, nada é colocado de uma maneira que se torne desconfortável, pelo contrário, é tudo muito natural.

    É um romance que fala sobre autodescoberta, sobre amizade, sobre lutar pelo que se quer, sobre coragem, sobre amor, companheirismo, enfim, é um romance completo, e que tem muito mais a dizer do que apenas uma história de amor entre duas garotas.

    O livro no geral é bem fofo, daqueles que nem percebemos o tempo passando de tão gostosa que é a leitura. As autoras deviam estar em muita sintonia quando escreveram esse livro já que nem se percebe que foram duas pessoas diferentes que escreveram. É uma narrativa bem fluida, e cheia de referências artísticas que me encantaram. O modo como escrevem remete a um sentimento tão grande que me senti tocada durante a leitura.

    Acredito que o único pecado do livro seja a ambientação, que apenas raras vezes me fez perceber a década em que estavam. Mas isso não é algo que atrapalhe a história, e pode ser facilmente relevado. No geral é um livro que vale muito a pena ler, e que apesar de se tratar de um tema um tanto polêmico e com potencial para ser desconfortável, é bem leve e sutil.

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    Beijos,