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    Cartas de Amor aos Mortos - Ava Dellaira

    Às vezes, quando falamos, ouvimos o silêncio. Ou apenas ecos. Como gritos vindos de dentro. E isso é muito solitário, só acontece quando não estamos ouvindo de verdade. Significa que ainda não estávamos prontos para ouvir. Porque toda vez que falamos, há uma voz. Existe o mundo que responde. Quando escrevi minhas primeiras cartas para vocês, encontrei minha voz. Sei que escrevi cartas para pessoas sem endereço neste mundo. Sei que vocês estão mortos. Mas posso ouvir vocês. Ouço todos vocês. Nós estivemos aqui. Nossa vida teve valor.

    Laurel é uma adolescente quem tem enfrentado inúmeros problemas após a morte de sua irmã mais velha. Sua mãe foi para a Califórnia e seu pai não dizia uma palavra. Ou seja, eles também não encontraram uma forma menos dramática de superar a dor e a perda. Sendo assim, Laurel se reveza em morar com o pai e com a tia, além de mudar de escola a fim de evitar os olhares de pena e as perguntas que viriam sobre a morte de May. E, após o pedido de um inusitado trabalho pela professora de Inglês, ela passa a escrever diversas cartas a pessoas famosas. E mortas.

    De modo geral, essa é a essência do livro. Laurel escreve diversas cartas (que na verdade não são de amor) aos mortos e, até o fim do trabalho, sua vida se direciona a novos caminhos. Através destas cartas, a jovem relata como tem sido difícil sair do luto e viver, pois a morte age de maneira muito singular com cada indivíduo e, geralmente, é muito dolorido. Entretanto, ao escrever, ela sente que pode dar um passo de cada vez e, enfim, enxergar a luz no fim do túnel.

    Logo Laurel tem uma coleção de cartas, dentre elas, para lendas como Kurt Cobain, Amy Winehouse e Heath Ledger. Kurt é o campeão de cartas e também era o cantor preferido de May, motivo pelo qual foi o primeiro escolhido. Embora as cartas tenham sido escritas para o trabalho da escola, ela jamais as entrega à professora. E, ao tempo em que ela narra sua vida, ela também pondera a deles, fazendo observações e tentando entender diversas das suas atitudes quando em vida (ou que levaram à suas mortes).

    O livro inteiro é narrado através dessas cartas, diálogos e acontecimentos marcantes, como o namoro com o misterioso Sky, seu primeiro amor, e as novas amizades no novo colégio. O texto é muito fluido e fácil, o que faz da leitura muito agradável e rápida. Não tem como não se envolver com a história. Fico feliz em dizer que o final é bem gratificante, pois acompanhar a luta e a superação de Laurel chega a ser triste. Principalmente se você também já perdeu alguém que amava muito e sabe a dificuldade que é tentar seguir em frente.

    Além disso, a história também narra a força do amor e da união. A importância da família e os laços que criamos e fortalecemos com ela. O apoio ou não dos pais tem uma influência ENORME na vida de uma pessoa e, quando se lida com a morte, o assunto se torna muito mais delicado. Portanto, acredito que a leitura nos acrescenta valores familiares únicos. Apesar do tema “morte” ser pesado, o livro não é, pois a maneira que autora encontrou para narrar a história faz com ela seja leve. É como se fosse o diário de uma adolescente e, nós leitores, seus confidentes.

    Eu indico este livro para aqueles dias chuvosos, calmos ou para sair de uma ressaca literária. Não é extraordinário, mas é um livro que vale muito à pena. ;)

    Classificação:



    Beijão,