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    Kitty - Elle S.

    Eduardo, não! Ruivo burro! Aquilo era absurdo. Eu não queria cruzar com ninguém. Eu não precisava de um macho. Tinha 400 anos de independência a zelar.

    Kitty é uma independente gata de rua diferente de todas as outras, isso porque guarda um segredo um tanto incomum que faz com que fuja dos seres humanos para que não descubram e machuquem-na como no passado. Porém, uma noite num beco seu destino cruza com o de um estranho bêbado que decide levá-la para casa acreditando que é um macho. Eduardo é um simpático e charmoso ruivo que ainda não superou o fim de um relacionamento e de quem Kitty precisa desesperadamente afastar-se para que não corra o risco de se apegar a ele. Como assim? Explico.

    Bem, Kitty, ou Catarina, na verdade é uma mulher que foi amaldiçoada há quatrocentos anos. Na maior parte do tempo ela permanece como gata, mas basta que digam algumas palavrinhas mágicas  e ela volta à sua forma humana. Apesar da estranheza da situação, a personagem é muito bem definida tanto em sua forma de gata, quanto na sua forma humana.

    As personalidades são muito bem demarcadas. Quando gata, tem a questão dos instintos, não resistir à comida ou um afago na cabeça; a entrega que os gatos geralmente têm quando recebem agrados é muito visível na personagem. Mesmo com a consciência humana sempre ativa, ela não é capaz de resistir aos instintos felinos. Já na forma de humana, que é uma situação muito rara, Kitty não sabe lidar com o corpo ao qual não está acostumada, portanto sente-se constantemente confusa.

    Apesar de Eduardo ser descrito como um homem lindo, simpático e generoso, eu bem que fiquei com raiva dele em algumas situações referentes à relacionamento e pela forma que se entregava tão fácil à ex ou à bebida. Grande preconceito meu, mas tem hora que Duda se mostra muito fraco. Entretanto, considerando sua bondade, é totalmente compreensível os sentimentos de Kitty com relação a ele. Acho importantíssimo falar que Arthur, melhor amigo de Duda, é um personagem que se sobressai. É engraçado, querido e sabe cozinhar. Mereceu o destaque que tem no decorrer do livro.

    A história remete um pouco aos contos de fadas em muitos momentos, não só por conta da maldição. É misterioso em quase todo o tempo, Kitty está sempre mencionando a tal maldição e deixando um suspense de que talvez seja possível quebrá-la e isso torna tudo muito mais interessante ainda. Porém, acho que quando ela revela sua história é tudo muito rápido, poderia ter um mistério a mais para manter o clima desenvolvido desde o começo. Há também pitadas de comédia pela forma com que a protagonista lida com as situações com pensamentos bem humorados, apesar de estressados.

    Dois pontos negativos, na minha opinião, é o início da narrativa que passa muito tempo apenas focado na incerteza de Kitty em fugir ou ficar com Duda. Fica em um vai ou não vai durante muitas páginas, o que me cansou um pouco no começo. Depois de algumas páginas a leitura foi mais fluida. Outro ponto é que a protagonista passa muito tempo apenas como gata e tem pouca interação com Eduardo na sua forma humana e, convenhamos, é bem estranho ver uma gata apaixonada por um homem e se ver torcendo pelos dois.

    No mais, é uma escrita gostosa para se entreter um pouco, com personagens bem próximos do real apesar de ser um livro de fantasia e uma ideia original. O fato de se passar em São Paulo também achei algo positivo, pois acho interessante autores brasileiros explorarem lugares do Brasil em seus livros. Eu, que moro em Curitiba e nunca conheci SP, tentei explorar ao máximo minha imaginação para visualizar os lugares mencionados. Hehehe!

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