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    Aristóteles e Dante Descobrem [...] - B. Alire

    As palavras ficam diferentes quando passam a morar dentro de você.

     Aristóteles é um adolescente de 15 anos, descendente de mexicanos, que por isso, e mais um milhão de motivos, não se sente pertencente a lugar algum. Com duas irmãs de 27 anos e um irmão de 25 do qual não sabe nada, a não ser que está preso, ele se sente isolado da família. 

    Além disso, sua personalidade mais fechada faz com que não tenha, e não queira ter amigos, o que o faz ainda mais solitário, até que ele conhece Dante na piscina pública. Logo de cara os dois se identificam no "não pertencer" e, mesmo sendo muito diferentes, talvez pelo motivo de serem muito diferentes, se tornam inseparáveis.

    Dante desperta em Aristóteles uma nova faceta dele, que o próprio não conhecia. E em sua ânsia de seu auto-conhecer, se entender e entender a vida, ele se liga cada vez mais a Dante, que provoca nele uma mudança nítida e profunda. Ao longo do tempo os dois constroem uma amizade forte e duradoura, que vem pra mudar tudo na vida deles, para fazê-los descobrir os segredos da vida e do universo.

    Com uma narrativa em primeira pessoa, do ponto de vista de Aristóteles, ou Ari, o livro nos envolve profundamente nessa história de auto descobrimento, de dúvidas, de vida. de amizade e de família. Conforme acompanhamos os acontecimentos que marcaram a vida desses dois meninos, vamos nos envolvendo mais, conhecendo e nos identificando com os personagens que passam por essa fase tão confusa de suas vidas, mesmo que de maneiras diferentes.

    Com a narrativa sendo do ponto de vista de Aristóteles temos a oportunidade de entrar mais profundamente em seu mundo, de entender melhor seus medos, suas aflições e seus sentimentos. Criado em uma família que não está acostumada a falar tudo livremente, Aristóteles se assusta e se fascina quando conhece Dante e sua família que tem o costume de falar tudo que pensa, de não esconder nada um do outro, de expor seus sentimentos. Mesmo que saiba que existe amor em sua família, Ari não consegue entender seus pais, principalmente o pai que voltou da guerra e guarda tudo para si, de modo que o menino sente que não o conhece. Além disso, há o fato de que por mais que tenha um irmão, não sabe nada sobre ele, já que ninguém sequer o menciona na sua casa.

    Nesse ponto é marcante a evolução e o amadurecimento que acontece no relacionamento de Aristóteles com a família. A dinâmica muda completamente entre eles: de fechados e acostumados a guardar as coisas para si - coisa que afetava profundamente Aristóteles - a mais comunicativos sobre as coisas importantes.

    Devo destacar que os personagens são muitíssimo bem construídos, o que foi algo que me agradou muito nesse livro. Aristóteles encarna muito bem todos os temores e dúvidas de um adolescente de 15 anos que não se conhece e a sua família. Por mais que isso pareça clichê, e já discutido em um quinhão de outros livros, a maneira  poética e sensível de o autor contar essa história é o diferencial, e o que fez o livro ser tão perfeito. E ainda temos Dante, o tipo de personagem que te conquista na primeira frase. Tão sensível e tão oposto a Ari.

    Em linhas gerais, esse é um livro sobre amadurecimento, sobre autodescoberta e sobre relacionamentos. Com um enredo e personagens cuidadosamente construídos, e uma narrativa muito poética, repleta de sabedoria em suas palavras. É o tipo de livro que eu recomendaria a todo mundo.

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    Beijos,