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    Neve na primavera - Sarah Jio

    Desci a escada na ponta dos pés, coloquei outra tora na lareira, fiz uma oração em silêncio e caminhei até a porta da frente, trancando-a após passar por ela. Era apenas um turno. Estaria de volta em casa antes do amanhecer. Voltei até a porta e balancei a cabeça, tranquilizando-me. Era a única forma. Ele estaria seguro. São e salvo.

    Este livro me surpreendeu positivamente. A princípio gostei da sinopse mas achei um tanto quanto clichê, mas não tem uma só linha de trivialidade deste livro. São duas histórias paralelas de diversos pontos de vista com os quais podemos nos identificar. O trecho citado acima pertence ao primeiro capítulo e mostra o coração aflito de uma mãe solteira que vive nos Estados Unidos durante a Grande Depressão da década de 30 e precisa deixar seu filho de apenas 3 anos em casa sozinho, pois precisa trabalhar, para que eles tenham o que comer e um teto sobre a cabeça. Neste mesmo dia ocorre um fenômeno climático raro, uma tempestade de neve em plena primavera. 

    O ano é 1933 e ao chegar em casa do trabalho Vera descobre que seu filhinho desapareceu. Ao encontrar o seu ursinho inseparável caído na neve o mundo inteiro parece sair de foco ao seu redor. O que uma mãe solteira, pobre e desnutrida pode fazer para recuperar esta criança? A polícia é de pouca ajuda, mas essa mãe que não consegue passar um minuto sem lembrar do filho não irá descansar enquanto não o encontrar.

    No segundo capítulo avançamos para o ano de 2010 e conhecemos Claire Aldrigde, uma jornalista excepcional, bem sucedida, casada com o herdeiro de um dos jornais mais importantes da cidade. Uma mulher cujo coração se quebrou em mil pedaços após ser atropelada aos 8 meses de gravidez e perder seu bebê. A tragédia a atinge com tanta intensidade que mesmo um ano depois seu casamento já não é mais o mesmo, sua alegria de viver parece extinta e o brilho no olhar que encantava a todos está apagado. Ela não encontra motivação para trabalhar e suas matérias são cada vez mais simples. Porém, eis que acontece um fenômeno climático raro, uma tempestade de neve em plena primavera. Sim, quase 80 anos depois volta a cair neve na primavera. 

    A tempestade vai ligar essas duas mulheres de mundos completamente diferentes, motivadas a descobrir o que aconteceu com um lindo menino de 3 anos em 1933. Após enfrentar todo o caos instalado na cidade pela tempestade fora de época, Claire finalmente chega a redação, mas o que ela não sabe é que ela está prestes a ser incumbida de cobrir a notícia. Seu chefe a motiva a fazer uma pesquisa sobre as consequências que a tempestade de 1933 trouxe para os moradores e durante sua pesquisa ela se interessa por uma pequena nota que notícia o desaparecimento de Daniel.

    Investigar fatos tão antigos em uma época em que os registros não eram tão organizados é uma tarefa árdua, mas Claire tem garra de sobra para refazer os passos de Vera e curiosidade o bastante para entrevistar velhinhas que eram amigas da mãe de Daniel. Enquanto o paradeiro do menino ainda parece distante de ser resolvido, a distancia entre ela e o marido parece ainda maior. Ela não sabe como resgatar seu casamento ou como vencer o silencio que está cada vez maior. 

    Em sua busca ela irá descobrir que desvendar os segredos da vida de Vera e Daniel, pode influenciar a imagem que ela tem da tradicional e poderosa família do marido. Por instantes ela chega a reconsiderar se deve mesmo terminar esta reportagem, se isso pode colocar um ponto final no seu casamento, mas a alma de jornalista fala mais alto e  Claire escreve a melhor reportagem de sua carreira. Será que esta reportagem será publicada? Seu marido vai apoia-la? Eles conseguirão vencer um abismo que parece cada vez maior?

    Mergulhe de cabeça nesta história e descubra todas as respostas destas perguntas. O meu coração ficou apertado ao pensar em todas as mães que perdem seus filhos... Que Deus conforte o coração de todas as mães que foram separadas de seus filhos por algum motivo! Uma boa leitura para todos vocês e um ótimo sábado!
    Bjx

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