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    Um momento, uma manhã - Sarah Rayner

    Como contar simultaneamente a história de 3 mulheres completamente diferentes sem que isso se torne chato? É exatamente esta proeza que autora Sarah Rayner consegue em Um momento, uma manhã

    Karen, Ana e Lou estão todas a caminho da estação de Victoria, no centro da agitada Londres. O trem saiu as 7:44 e cada uma destas três mulheres estão em alguma parte deste trem. Porém a viagem é interrompida quando um dos passageiros precisa de socorro médico. 

    Sua melhor amiga, Ana, que também está no trem, não faz a menor ideia de que esta confusão que a está atrasando para uma reunião importante, é na verdade um evento trágico que pode mudar a sua vida.
    Lou finge dormir, mas com o canto do olho observa a mulher à sua frente aplicar maquiagem. Ver outras mulheres aplicando maquiagem no trem é algo que sempre a deixa fascinada.

    Lou é uma psicóloga mal resolvida, que parece alheia a tudo e a todos, mas no fundo observa atentamente cada um dos passageiros a sua volta. E através do ponto de vista de Lou, podemos observar a cena em que Simon está passando mal.
    Agora a moça volta a sua atenção para os lábios. De repente, se detém com a boca pintada pela metade, como uma boneca de porcelana inacabada. Lou segue seu olhar, que se fixa no casal. Inesperadamente, embaraçosamente, o homem acaba de vomitar...
    Logo depois Lou se dá conta do que está acontecendo. o homem agora leva as mãos ao peito e se apruma no assento, deixando a descrição de lado. Então, com um ruído surdo, ele cai de cara sobre a mesa e fica imóvel.
    Continuando a cena, ela acompanha o desespero da esposa, idas e vindas de funcionários do trem, enfermeiras voluntárias e por fim o resgate. Todos os passageiros são obrigados a desembarcar em uma pequena estação perdida no interior dos campos ingleses, onde naturalmente chove copiosamente. Quando um táxi para na sua frente ela abre a porta ao mesmo tempo que outra passageira, e assim Lou e Ana se conhecem ao dividirem um taxi para Londres.

    Apesar de conversarem bastante durante a corrida Lou se mantém reservada, assim como age com sua família e amigos do trabalho. Um dos alunos mais atrevidos já a questionou durante uma das seções sobre sua sexualidade, ela jamais iria discutir isto com ele. Mas será que seus colegas de trabalho a discriminariam por isso? Por que será que ela esconde isso de todos?


    Assim que Ana e Lou descem do táxi, Karen liga para avisar do falecimento de Simon e imediatamente Ana retorna para a cidadezinha onde o trem parou. Nas horas que se seguem Ana repensa na própria vida, enquanto tenta consolar e ajudar a amiga. O que ela faria no lugar de Karen? Será que o seu relacionamento é exatamente o que ela quer, ou será que ela se acomodou e com o tempo e passou a aceitar menos do que merecia? 

    Com narrativas intercaladas as histórias destas três mulheres se misturam e nos mostram sinais de amizade, amor, compreensão, preconceito, garra, coragem e força de vontade. O livro nos faz olhar para nossa própria história como observadores, buscando melhorar aquilo que podemos, viver melhor cada momento e aproveitar cada minuto ao lado de quem amamos. Uma leitura diferente do que estou acostumada, mas que me surpreendeu e não me deixou largar o livro até que a última página fosse lida.

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    Beijos,