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    A irmandade perdida - Anne Fortier

    Diana é uma jovem professora que trabalha em Oxford. Após passar sua infância em convívio com a avó - que achavam ter problemas mentais - e ouvindo suas histórias sobre amazonas e seus conselhos sobre como deveria aprender a lutar e a não se submeter aos homens, a própria Diana acabou se apaixonando pelo tema e se empenhando em provar a existência das Amazonas. Porém essa obsessão não era bem vista no mundo acadêmico e sempre fez com que Diana fosse alvo de chacotas e piadas. 

    Quando Diana é abordada por um estranho que diz fazer parte de uma instituição que descobriu provas concretas da existência das Amazonas, ela logo vê que é a oportunidade de ouro da vida dela. E tudo que ela tem que fazer é decifrar um antigo texto gravado na parede do templo descoberto por eles. O fato é que esse texto é idêntico ao que ela viu em um caderno e anotações da avó.. umas das poucas coisas que ela deixou antes de desaparecer anos antes. 

    Ao mesmo tempo conhecemos Mirina, uma menina que levava uma vida simples em uma aldeia remota no ano de 1190 a.c. Abandonada pelo pai, Mirina vivia sozinha com sua irmã Lili e sua mãe Talla até que essa é assassinada e as duas irmãs partem em uma jornada para o templo da deusa da Lua. No caminho, Lili acaba ficando cega, o que dificulta ainda mais as coisas, porém elas chegam lá e são acolhidas por um grupo de mulheres que não permitem o contato com os homens e que têm a virgindade como algo sagrado. 

    Durante um tempo tudo transcorre bem até o templo ser invadido por gregos e algumas das meninas serem levadas por eles. E aí que a jornada de Mirina começa, quando, junto com outras sacerdotisas, partem em busca dessas meninas. 
    "Nós somos as amazonas - repetiu ela com mais firmeza, enquanto os homens olhavam boquiabertos e incrédulos para a ave morta. - Somos as matadoras de animais e de homens. Somos selvagens e habitamos lugares igualmente selvagens. A liberdade corre em nosso sangue e a morte sussurra na ponta de nossas flechas. Nada tememos; é o medo que foge de nós. Quem tentar nos impedir sentirá nossa fúria."
    Sempre me fascina a habilidade de Anne Fortier de mesclar um passado histórico com uma história atual. Ela consegue arrumar um jeito de entrelaçar duas coisas completamente diferentes e fazer tudo funcionar perfeitamente. Enquanto acompanhamos Mirina em sua jornada, Diana faz o mesmo com suas pesquisas e traduções de textos antigos. Quanto mais a história vai tomando forma e vamos desvendando todos os mistérios, mais imersos vamos ficando nesse universo e somos completamente tomados pela história das Amazonas.

    Os personagens são fascinantes é incrível acompanhar duas mulheres tão diferentes uma  da outra traçando o "mesmo caminho" em épocas diferentes, e assim, se descobrindo individualmente. É sensacional perceber a maestria com que a autora entrelaça essas duas personagens. Há ainda o leve romance que acontece na história de ambas as protagonistas, romance esse que vem como um mero complemento, mas que deixa a leitura ainda mais deliciosa.

    A irmandade perdida nos leva por um mundo de mistérios, segredos e história. Todo o suspense e as intrigas que acontecem nos deixam ligados o tempo todo, sempre curiosos pra saber o desfecho de tudo e, com a ajuda da narrativa fluida da autora, nos envolve facilmente. É um livro maravilhoso, principalmente pra quem gosta de livros com essa pegada mais mitológica, que envolve arqueologia e fatos históricos. Além disso, há ainda a mensagem meio feminista deixada pela autora ao nos apresentar personagens femininas tão fortes, independentes e seguras de si mesmas - mensagem que só aumentou meu amor por esse livro.

    Anne Fortier simplesmente arrasou com esse livro. Já a conhecia por Julieta, que também é sensacional, mas me surpreendi ainda mais com sua habilidade em construir enredos tão bem amarrados e entrelaçados, ainda mais se considerar que aborda dois períodos históricos muito diferentes e distantes entre si. É realmente fascinante, emocionante, envolvente, maravilhoso e de deixar de queixo caído. Facilmente um dos melhores do ano.

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    Beijos,