No futuro, a Terra foi assolada por inúmeras guerras, o que dizimou 99% da população humana e transformou sua vida animal e vegetal. Boa parte dos seres humanos acabou confinada dentro dos muros de Prima Capitale, regida pelas draconianas regras do Supremo Decano. Por causa da rigidez do governo, todos os bebês nascidos no lugar precisam passar pelo crivo dos chamados cógnitos, seres com poderes psíquicos capazes de prever o futuro.

Caso, nesta visão, seja revelado que o novo cidadão cometerá um crime, sua sentença é a morte. Seppi Devone foi um desses bebês vetados. No entanto, sua mãe, Appia, consegue fugir com ela, livrando-a da cruel sentença. Elas vivem incógnitas numa comunidade no meio da mata e Appia cria sua filha como um garoto. Mas, quando Seppi completa 15 anos, o destino bate à sua porta e a garota terá de enfrentá-lo. Afinal, a adolescente é a única esperança que muitos oprimidos têm de se livrar do mal a que são submetidos pelo Supremo Decano.

A premissa do livro é incrível e, apesar do gênero estar meio saturado - sem muitas inovações, quero dizer - o autor conseguiu desenvolver criaturas próprias, termos originais que se aplicam ao universo da história e o enredo é de encher os olhos. Mas... eu fiquei muito desapontada com alguns aspectos que considero primordiais para me encantar e prender durante a leitura. Primeiro, achei a caracterização da protagonista totalmente destoante de sua realidade. Veja bem, a garota tem 15 anos, cresceu numa comunidade longe da civilização, mal foi alfabetizada, mas tem uma narrativa digna das melhores escolas. Como assim?

A história de Seppi é narrada por ela mesma e, por tido uma limitação no seu aprendizado, o modo como o autor usou as palavras fizeram tudo parecer muito artificial e forçado. Uma jovem que foi criada em condições precárias de educação (me refiro à escolaridade) não tem um vocabulário vasto e, menos ainda, seria capaz de saber o que é o termo matemático "parábola", por exemplo. Eu entendo que a necessidade de enriquecer a escrita seja de suma importância, mas deve-se ter cuidado porque acaba criando uma caracterização não verossímil do personagem.

Além disso, a segunda coisa que me desagradou bastante, foi o fato de que os capítulos são exageradamente grandes. Sim, me perdoe Ricardo, mas geralmente esse é um fator que se torna um balde de água fria para mim. Um único capítulo com mais de 40 (quarenta) páginas? Foi cansativo, me fez perder a dinâmica da leitura e acabei deixando o livro de lado várias vezes. Mesmo com uma trama que me deixou ávida para saber o desfecho, foi uma leitura lenta e um pouco maçante.

Contudo, apesar dessas ressalvas, Cidade Banida tem muitas qualidades - as quais me fizeram concluir o livro e arriscar ler um próximo trabalho do autor. Talvez Cidade Banida funcione melhor com você, querido leitor, e quem sabe você desfrute melhor do que eu, hum?

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Beijão,