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    Minha vida mora ao lado - H. Fitzpatrick

    Samantha viveu às margens dos Garrett desde que tinha 7 anos e eles se mudaram para a casa ao lado da sua. Sua mãe, metódica e preconceituosa como era logo teceu comentários maldosos sobre a bagunça que era uma família grande (5 filhos que se tornaram 8 ao longo do tempo), o que se mostrou verdade já que o quintal vivia cheio de brinquedos, e a Sra. Garrett vivia na correria com tantas crianças brincando e fazendo bagunça. 

    O fato é que Sam acabou por passar boa parte da vida observando a rotina deles, como as crianças tinham liberdade pra brincar, como os pais sorriam sempre e davam atenção à elas, como era tudo tão diferente de sua própria rotina cronometricamente organizada por sua mãe - que por sinal estava quase sempre fora de casa em algum compromisso político -, de maneira que tivesse todos os horários do seu dia ocupados de maneira útil. Mas tudo isso muda quando nos primeiros dias de verão ela conhece Jase Garrett, que se mostra um rapaz muito interessante e ela acaba mais envolvida com os Garrett do que alguma vez tinha pensado. 

    Minha vida mora ao lado é um livro diferente de tudo que esperei. O primeiro ponto é que ele é daqueles livros calmamente construídos, com uma narrativa tranquila que origina uma leitura bem relaxante, gostosa de acompanhar e que flui sem nenhum problema. Não causa aquele frisson, aquela angústia de "preciso acabar logo com o livro", pelo contrário, ela nos envolve devagar, chegando com calma e quando percebemos já fomos pegos de jeito. Esse detalhe me agradou demais, acho que esse livro veio no momento certo pra mim. 
    "Nossa casa tem todas as últimas novidades, tudo é high tech e incrivelmente limpo. E abriga três pessoas que preferiam estar em qualquer outro lugar."
    Como eu mencionei, a trama do livro cai se desenvolvendo devagar, e aos poucos vamos conhecendo Sam e tudo que a rodeia, inclusive os Garrett. A autora vai montando o cenário do livro bem aos poucos mesmo, nos apresentando a família de Sam: uma mãe rígida, completamente maníaca por limpeza, organização e controle (e um tanto egoísta e preconceituosa) e uma irmã mais velha meio rebelde, que vai contra as decisões de sua mãe e decide se mandar pra viver livre. A própria Sam é uma menina tranquila, obediente, madura, inteligente, responsável, a filha ideal de Grace não fosse o fato de começar a se envolver com os Garrett.

    Conhecemos também a Nan, melhor amiga que me parece estar mais preocupada com ela mesma e seu futuro do que com Sam e que acaba por surpreender muito no final. Tim, o irmão de Nan que é problemático, usa drogas  está em uma fase bem ruim. E claro, os próprios barulhentos Garrett. Essa é definitivamente uma família da qual vou falar em um Tudo em Família por aqui. É uma família grande, barulhenta, que vive numa bagunça enorme por conta da grande quantidade de crianças, mas que é cheia e amor, união, felicidade e companheirismo. Eles são todos encantadores e e impossível não se apaixonar por eles, tanto quanto Sam se apaixonou. O próprio Jase é encantador, inteligente, engraçado, preocupado com a família, responsável e nos conquista tão rapidamente quanto sua família.
    – Você vai se casar com o jase?
    Engasgo e começo a tossir de novo.
    – É… Não. Não, George. Só tenho dezessete anos. – Como se essa fosse a única razão para não estarmos noivos.
    Os dois vão desenvolvendo devagar o romance deles, tudo flui muito naturalmente e é um romance bem realista, do tipo que pode acontecer comigo e com vocês e eu me encantei com isso, com como a autora conseguiu trazer esse tom de realidade pra história como um todo. Tudo vai acontecendo como tem que acontecer, nada é apressado ou mal desenvolvido. O romance vai surgindo aos poucos, conforme o casal vai ganhando confiança um no outro, e tudo rodeado daquela aura de segredo e proibido por conta da mãe de Sam, que se descobrir pode se tornar um caos. 

    Por grande parte do livro, é assim que tudo flui, naturalmente e com calma, mas a partir de certo acontecimento as coisas se tornam um furacão e parece que tudo vai desmoronar. Amei como a autora soube exatamente o momento de mudar o clima, de como introduziu esse momento mais tenso na história, de maneira que encaixou perfeitamente. É nesse momento que prendemos o respiração e ficamos ligeiramente tensos com o que está para acontecer.
    "É bom ficar de olho nessas pessoas que acham que sabem o jeito certo de se viver. Elas podem atropelar você se estiver no caminho."
    De maneira geral o livro é perfeito. Fazia tempo que não lia um YA tão bom assim, que fosse envolvente mas ao mesmo tempo relaxante. Em que a autora soubesse desenvolver a história, encaixando cada coisa em seu devido tempo. Amei que mesmo assim ela consegue nos surpreender com alguns detalhes da trama que não esperávamos, amei que ela trata de drogas, vício, de preconceito, dos padrões completamente errados da sociedade, de família, do que é certo e do que é errado. Simplesmente amei o livro! Foi refrescante ler uma obra assim e já até bateu uma saudade da família barulhenta e encantadora dos Garrett.

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    Beijos,