"Com muita bebida e pouca comida, o encontro de pais dos alunos da Escola Pirriwee tem tudo para dar errado. Fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis, os adultos começam a discutir já no portão de entrada, e, da varanda onde um pequeno grupo se juntou, alguém cai e morre. Quem morreu? Foi acidente? Se foi homicídio, quem matou? Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada.

Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana." Moriarty é uma autora Australiana que está na minha lista de desejados há um bom tempo, com o seu livro “O segredo do meu marido”, mas quis o destino que meu primeiro contato com sua escrita fosse através de “Pequenas grandes mentiras”.


De antemão, sabemos que algo muito ruim aconteceu e alguém morreu em meio ao evento destinado aos pais, na Escola Pública de Pirriwee, e o livro faz uma reconstituição da vida de personagens chave, começando em seis meses antes da fatídica noite. O foco mantém-se em três protagonistas mulheres e alternadamente vamos conhecendo mais sobre suas vidas e personalidades.

Madeleine é mãe de três filhos, duas meninas e um garoto. A filha mais velha é fruto do primeiro relacionamento e costumava ser sua companheira, mas com a adolescência chegando e a aproximação da garota com a família do pai, Madeleine passa a ser o oposto de tudo o que a filha admira.

Sua amiga Celeste é a deslumbrante mãe dos gêmeos Max e Josh, e tem um casamento invejável com Perry, um rico empresário que apesar de viver viajando é um pai atencioso e um marido intenso. Para o mundo, eis aqui uma família perfeita.


Jane é a mãe recém-chegada em Pirriwee. Ela se mudou com o filho Ziggy, que logo começará a frequentar a escola junto com os filhos de Celeste e Madeleine.

As três acabam por tornarem-se amigas e aos poucos passam a se conhecer e compartilhar segredos. Depois de um incidente com as crianças no primeiro dia, Celeste e Madeleine passam a defender Jane da hostilidade crescente dos pais e mães para com ela, após uma denúncia sobre o comportamento de Ziggy.


A respeito do crime, apesar da investigação em curso não fazemos ideia de quem morreu e nem o porquê. O clima de suspense é bem construído, e confesso que nenhum dos meus palpites foi capaz de adivinhar o que aconteceria. 

Liane também constrói um enredo que traz nas entrelinhas muito da constituição humana, e como a sucessão de eventos pelos quais passamos molda nossas ações futuras.

Entretanto, um dos pontos negativos do livro fica por conta da narrativa em 3ª pessoa que tenta abranger tudo nos mínimos detalhes e o seu formato ligeiramente diferenciado, duas características que não permitem agilidade ao enredo e demandam um longo tempo para que a leitura seja finalizada.

Apesar disso, o final foi bastante surpreendente e a construção dos personagens não deixa a desejar em nenhum aspecto. Conseguimos visualizar a vida dessas três mulheres com riqueza de detalhes e nota-se um cuidado apurado da autora para que a abordagem fosse respeitosa e real.

“E se eu estivesse acima do peso e não fosse especialmente bonita? Porque isso é tão terrível? Tão repulsivo? Por que é o fim do mundo?”

Achei interessante que a Liane Moriarty utilizou a literatura para abordar um tema importante, que é a violência, tanto a psicológica quanto a doméstica, e fez de maneira muito cuidadosa. 

“É porque toda a autoestima de uma mulher é baseada na sua aparência – disse Jane – Por isso. É porque a gente vive em uma sociedade obcecada pela beleza, na qual a coisa mais importante que uma mulher pode fazer é ser atraente para o homem.”

É uma boa história, moldada a partir de temas interessantes e que pode servir como inspiração para quem passa por problemas idênticos aos das personagens. Contudo, não foi uma das melhores que já li e não foi dessa vez que a Liane me conquistou. Quem sabe no próximo livro (ainda quero muito ler “O segredo do meu marido”).

Classificação:



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Beijocas!
Lola