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    E se fosse verdade... – Marc Levy


    O que você faria se encontrasse uma mulher estalando os dedos dentro do seu armário do banheiro? E se ela lhe contasse uma história muito estranha, com pitadas de sobrenatural e totalmente impossível de acreditar?

    No primeiro livro do francês Marc Levy encontramos uma narrativa que se tornou um sucesso, sendo publicado em mais de 40 línguas e acabou por lançar sua carreira de escritor. Segundo ele, seu intuito ao escrever o livro foi criar uma história para que seu filho lesse quando ficasse adulto, mas eu me pergunto o que exatamente ele quis dizer para o garoto. Que a gente precisa acreditar nos milagres da vida, principalmente quando ele está personificado em uma garota tagarela e bastante maluca? Não consigo parar de me perguntar o que o Marc quis dizer, e acho que esse é o grande mérito do livro: encher-te de perguntas que você não sabe como responder, mas que você não para de tentar.


    Antes de resenhar o livro em si, acho que cabe contar como minha história com ele começou.

    Eu amo o Mark Ruffalo. Desde o seu papel em “De Repente 30” eu passei a admirar a profundidade das emoções que ele consegue me passar quando está em cena. Ele realmente parece ser cada personagem que interpreta. Foi procurando filmes dele que encontrei “E Se Fosse Verdade”, que é um dos meus favoritos da vida (até indiquei ele no post da semana passada) <3

    E algum tempo depois descobri que ele havia sido baseado em um livro. E aqui estou eu para dizer: como seguir a vida normalmente depois dessa leitura?

    O romance em 3ª pessoa nos apresenta Lauren, uma jovem médica que venera o seu trabalho e sacrifica sua vida pessoal em função disso, e o arquiteto Arthur, novo inquilino do prédio onde Lauren morava.

    E o encontro deles acontece da forma mais estranha e incrédula possível.
     “O que vou contar não é fácil de ouvir, pois é meio inverossímil, mas se puder escutar minha história, se puder confiar em mim, talvez acabe acreditando e seria muito importante, pois mesmo sem saber, é a única pessoa no mundo com quem posso dividir esse segredo.” Pág. 35
    “E se fosse verdade” é profundo, tanto que ás vezes chega a ser poético. Notei que o Marc Levy tem uma linguagem um pouco “formal”, e em alguns momentos constrói a narração dos fatos de maneira tão profunda que confesso que alguns diálogos foram além da minha capacidade de compreensão imediata, a ponto de eu precisar reler para captar a mensagem.


    Suas descrições também carregam essa complexidade, que imprime a leitura uma velocidade mais lenta, cadenciada. Ainda que isso não deixe o livro desinteressante, não é uma leitura para poucas horas. Acho que “E se fosse verdade” é um livro gourmet, que assim como um prato com nome exótico e feito com ingredientes que você não consome frequentemente, precisa ser degustado, sem pressa.
    “-Quando a gente divide o pouco que tem, é que realmente está dando alguma coisa.” Pág. 79
    Você não pode ler esperando uma narrativa fluída ao estilo Nicholas Sparks, já que esse tem menos de 230 páginas e precisei de várias horas de leitura, até que eu conseguisse terminá-lo no final do terceiro dia.

    Apesar de alguns trechos mais complexos, o enredo é mágico, apaixonante e fofo. O relacionamento entre Lauren e Arthur é desenvolvido de uma forma tão verdadeira que te cativa, te prende, te faz torcer para que tudo dê certo, apesar das limitações que existem entre os dois.

    Eu aconselho que quem curtiu (ou não) o filme, leia o livro. Existem muitas alterações na versão cinematográfica, e por isso acho interessante ver a perspectiva original do livro.

    Sobre o projeto gráfico, tudo bastante simples, e revisão de texto impecável. Confesso que a capa não me agrada muito, mas é só esse verde musgo que em incomoda.

    Fica a indicação do romance para quem adora pegar um livro e ficar refletindo sobre ele, mesmo algum tempo depois de ter finalizado a leitura.


    “A cada manhã, quando acordamos, temos um crédito de 86.400 segundos de vida para aquele dia, e quando dormimos, à noite, não há reposição. O que não se viveu naquele dia se perde. O dia de ontem já passou. (...) E então, o que fazemos com nossos 86.400 segundos cotidianos?” – pág. 206
     

    Como de praxe, estou curiosa pela tua opinião. Usa os comentários para me contar o que achou da resenha, se já assistiu ao filme, se não, se já leu o livro, enfim, conta tudo :D

    Beijocas :*