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    Nove regras a ignorar antes de se apaixonar

    Lady Calpúrnia, assim como todas as mulheres do século XIX, foi criada para seguir um padrão de educação e comportamento feminino extremamente rigoroso com o único propósito de arrumar um bom casamento. Porém, mesmo sendo um exemplo de uma moça respeitável e educada, Callie alcançou seus 28 anos ainda sem um marido, fracasso que lhe rendeu o título de solteirona. Cansada de seguir as boas regras da sociedade e ainda assim não alcançar a felicidade, ela decide fazer uma lista de regras a quebrar - coisas inaceitáveis como ir a uma taberna, fumar charuto, entre outros -, e quem sabe assim conseguir viver algumas aventuras. É tentando riscar os itens de sua lista que ela vai a procura de Gabriel, o maior libertino de Londres e o homem que permeia seus pensamentos. Os dois acabam firmando um acordo capaz de mudar suas vidas mais do que imaginam: o marquês vai ajudar Lady Calpúrnia com sua lista, enquanto ela ajudará sua meia-irmã a se inserir na sociedade. 

    Mesmo já tendo ouvido inúmeros elogios às histórias e à escrita de Sarah MacLean, eu nunca tinha tido a oportunidade de ler um livro dela. E olha, eu estava perdendo tempo! Além de uma escrita fluida e envolvente, um romance bem construído e uma trama leve e divertida, o que mais me encantou em Nove regras a ignorar antes de se apaixonar foi a construção e amadurecimento da própria protagonista.

    Callie, de tanto ouvir que era feia e sem graça, tomou aquilo como verdade para si e realmente não acreditava que com a aparência que tinha conseguiria um marido bom, muito menos um que a amasse. Ela aceitou todos os julgamentos sobre sua beleza sem nem questionar, pois era o que ela achava dela mesma. Porém, ao cumprir cada item de sua inusitada lista de regras a quebrar, ela vai ganhando uma confiança em si mesma, um amor por si própria independente do que os outros acham dela. E incrível ver esse crescimento dela, como ela começa a se achar bela e a lutar para ficar bem e feliz exatamente do jeito que ela é. Por isso, depois de vermos ela se diminuindo, demonstrando sua insegurança, duvidando de si mesma, é gratificante acompanhar com ela vai ficando auto confiante e segura. 

    É interessante que a autora - uma das poucas pelo que conheço - decidiu criar um romance onde a protagonista não era bela (ao menos não aos olhos da sociedade machista, julgadora e preconceituosa) e assim conseguiu mostrar que beleza não é só o exterior, não é só o padrão que nos cobram pelo mundo, mas o que somos por dentro também. Nesse quesito, o romance foi além de um desenlace amoroso entre um casal, ele é um exemplo de crescimento pessoal, de força e determinação.

    O próprio romance é uma delícia de acompanhar. Embora o protagonista seja um tanto clichê - um libertino que se apaixona - ele é um amor só, e é impossível não se apaixonar por ele. O enlace amoroso do casal foi cuidadosamente elaborado - o que o tornou bem convincente - e é permeado de cenas divertidas e sensuais. A própria lista criada por Callie vai juntando os dois conforme ela tenta ter suas "primeiras vezes", e ao mesmo tempo, a coloca em diversas enrascadas que se tornam divertidas para o leitor. Chega a ser hilário ver a protagonista tentando fazer coisas que, na época, eram dignas só para homens e confesso que gargalhei mais do que algumas vezes durante a leitura.

    No geral, o romance de Sarah MacLean é divertido, leve e apaixonante. Mas mais do que isso, ele é uma obra sobre a confiança da mulher, sobre padrões de beleza e a inutilidade deles. Apesar do tom de bom humor e da sensualidade que permeia a história, é a reflexão que o livro traz que o torna especial e inspirador.

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    Beijos,