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    Meu Inverno em Zerolândia – Paola Predicatori


    “Alessandra tem 17 anos quando sua mãe morre. Sua dor é como uma redoma e quando retorna à escola, se afasta dos amigos e vai sentar junto a Gabriel, conhecido como Zero, a nulidade da turma. Deseja apenas ser ignorada, como acontece com ele. Zero, porém, é mais interessante do que parece. Em sua falsa indiferença, é atento e sensível. É ele quem socorre Alessandra, aparecendo inesperadamente ao seu lado quando ela precisa de ajuda. Viram um par: Zero e Zeta.
    Aos poucos, um sentimento indefinível ganha forma entre as paredes da classe e a praia de inverno, surgindo uma história delicada e forte que mudará para sempre a vida desse casal de adolescentes. De maneira realista, Meu inverno em Zerolândia mostra a juventude italiana e seu cotidiano, em uma história dura e envolvente, capaz de mostrar que a soma de dois zeros não é zero, mas sim dois.” – sinopse via skoob



    “Meu Inverno em Zerolândia” é o romance de estreia da minha xará (versão italiana) Paola Predicatori, e já posso adiantar que a carreira dela como escritora começou da melhor maneira possível. Sua escrita é doce, carregada de um tom poético repleto de sentimentos.
     “Morre-se também assim, acho: não se usam mais certos objetos, não se entra mais em certos aposentos. Aprisionamos o passado para que ele não nos alcance mais com o peso das lembranças.” – pág. 61
    Alessandra perdeu a mãe recentemente, e ainda que as duas não fossem extremamente ligadas existia muito amor entre elas, e compartilhavam aquele tipo de relação em que basta um olhar ou um toque para se comunicar.

    Paola utiliza uma estrutura que alterna entre o formato de diário e o de cartas para mostrar a visão de Ale de um mundo que se tornou mais frágil e superficial desde que sua mãe fechou os olhos e não tornou a abrir.
    “Existem coisas que, se a gente as faz, é como quando usa uma máscara: desaparece por trás dela e não vale mais nada.” – pág. 15

    Ainda que construída dentro de um contexto triste, a narrativa não é pesada ou opressiva. É a história de uma garota que está tentando lidar com o vazio em seu coração, ao mesmo tempo em que se concentra em terminar o último ano da escola. Alessandra vê o mundo de maneira diferente após a sua perda e não suporta mais manter a fragilidade das relações nas quais ela estava imersa, incluindo as suas amizades da escola. Então ela decide sentar-se no único lugar onde ela poderia se afastar de tudo: ao lado de Zero.
    “A parte mais difícil é justamente aquela na qual a pessoa fica parada e espera. Eu hoje decidi esperar, sentada aqui, na última mesa. Resisto, não quero que minha vida vá a lugar algum sem você.” – Pág. 16
    O garoto que não costuma abrir a boca e quase não participa da vida escolar, a menos que seja para dizer ao professor que não fez o dever ou que não estudou para a prova, foi julgado pela turma como uma nulidade, um zero a esquerda. Inclusive pelo grupo que costumava ser o de Alessandra. Quando ela decide se sentar na última mesa, ao lado dele, mal pode imaginar o quanto essa escolha irá impactar em sua vida.
    “Agora estou em Zerolândia. Novo país, novas pessoas, praticamente duas, eu e Gabriel Righi, o único, exclusivo e autêntico Zero, o rei absoluto de um reino deserto, bobo da corte a contragosto numa turma que não perde nunca a ocasião de dar risada às suas custas.” – pág. 21

    Paola tem uma escrita madura, fluída e que não peca em nenhum aspecto. A descrição das situações e dos personagens é sutil, e apesar das apenas 182 páginas cheguei ao final do enredo sentindo que conhecia muito bem Ale, Gabriel, as amigas da mãe de Ale e até sua avó, uma mulher de poucas palavras.

    O romance em si me surpreendeu, fugindo de alguns clichês e reproduzindo sutilmente outros. Paola Predicatori escreve com muita propriedade e verossimilhança, conseguindo falar muito sem se perder em milhares de parágrafos com informações irrelevantes.
    “Quando recomeço a respirar é de leve, esperando que ele não perceba quanto estou emocionada. Agora meu coração bate tão forte que imagino ter dois.” – pág. 90
    Eu amo livros que conseguem transmitir a evolução dos personagens através das páginas, e “Meu Inverno em Zerolândia” consegue fazer isso de maneira graciosa, além de me fazer questionar o que realmente é um final feliz. Às vezes, apenas encontrar um caminho para seguir em frente já é suficiente.

    O projeto gráfico está harmônico e a capa está linda, apesar de crer que ela não se conecta totalmente com o enredo.


    “Meu Inverno em Zerolândia” é uma leitura rápida, porém intensa, e com certeza, marcante.
    Agora quero saber de você: curtiu a resenha? Ficou com vontade de ler o livro (ou já leu)? Conta tudo aí nos comentários que vou adorar ler :D

    Beijocas!