Fiquei olhando o cursor piscar na tela por alguns segundos enquanto pensava em como iria escrever esse texto.

Pois então, cá estou eu para falar de um livro que muita gente torce o nariz quando ouve falar, mesmo sem nem ter lido a sinopse, simplesmente por achar que ele é chato ou desinteressante.
“A Cabana” foi escrito pelo canadense William P. Young, e lançado no Brasil em 2008.

De lá para cá o livro já vendeu mais de três milhões de cópias e é um dos mais vendidos da última década.

E o que tem de tão especial nesse pequeno livro de 232 páginas?

Amor.

Descrito de maneira tão tocante, tão verdadeira, que faz a emoção transbordar dos olhos.

Mack é um cara comum, que não se destaca no meio da multidão. Sua particularidade está nos seus sentimentos, na sua história de vida, nas suas dores e curas. Após uma infância difícil, com um pai alcoólatra e violento, Mack saiu de casa aos 13 anos para nunca mais voltar. Crescer foi difícil e ele não costuma falar muito sobre os anos após sua saída de casa. 


Quem assina o prefácio e conta essas primeiras informações é seu amigo Willie, que atua como escritor da história de Mack já que ele não se sente íntimo das palavras a ponto de transmitir para o papel suas memórias de maneira fiel.

Na época da história, Mack era casado e pai de cinco filhos. Sua jornada de autoconhecimento começa depois da perda mais dolorosa que ele poderia sofrer.

Eu sei que falar de religião é complicado, mas antes de qualquer coisa, esse livro não é sobre religião em si. É sobre a força da sua fé, sobre amor, sobre acreditar em algo, ainda que não possa ser provado.

Eu acredito em Deus, mas não frequento igreja e não tenho saco nenhum para missas. Acredito em alma e nas bagagens espirituais que carregamos. Hoje, eu tenho isso bem claro na minha cabeça, mas na época que comprei “A Cabana” não fazia ideia de nada disso. Eu não me deixei levar por nenhum preconceito antes de comprar o livro.

Simplesmente o pesquei da estante do mercado (na minha cidade tem um mercado gigante que na época vendia livros a preços incríveis) achei a sinopse intensa e a capa intrigante, e fui escolhida (às vezes você escolhe o livro, em outras ele escolhe você.). 

  
Li o livro pela primeira vez com 17/18 anos, e na época lembro-­me de finalizar a leitura, olhar a capa e finalmente exclamar: “­ Como assim esse livro é ficção?”, tamanho é o dom de William P. Young de contar uma história extremamente verossímil, até mesmo nos momentos onde Mack parece estar vivendo fora da realidade.

Mack tem uma tristeza profunda que pesa em seus ombros, e começou quando a filha mais nova foi sequestrada e segundo indícios, brutalmente assassinada. A relação dele com Deus não era nada forte, já que seu pai recitava versículos da bíblia enquanto batia na esposa, e depois desse dia sua fé foi congelando aos poucos, até não restar nada.

É aí que ele recebe um bilhete assinado por Deus marcando um encontro com ele. Desconfiado e furioso com a brincadeira de mau gosto ele resolve ir até o local marcado para tirar satisfação, e é então que ele vive o momento mais mágico e libertador de sua vida.

Eu chorei intensamente em alguns trechos do livro, por conseguir ver em mim ressentimentos que Mack também carregava, e fiquei com o coração batendo forte, querendo também resolver meus problemas de relacionamento familiar e sentir a leveza que ele sente quando se liberta das velhas mágoas.

Uma das coisas que mais me marcou em “A Cabana” foi a desconstrução da personificação masculina de Deus. A trindade santa é composta por uma negra que faz bolinhos enquanto conversa, uma oriental que adora jardins e um Jesus que fala abertamente sobre os problemas da igreja enquanto instituição.

Esses três personagens conduzem Mack em uma jornada dentro de si mesmo, e acompanhar sua evolução espiritual faz com que a gente sinta que está evoluindo um pouco também.

Um dos maiores presentes que essa leitura me deu foi me fazer questionar algumas coisas que antes eu nunca havia parado para pensar, e isso me fez muito bem.

“Neste mundo de faladores, Mack é pensador e fazedor. Não diz muita coisa, a não ser que alguém pergunte, o que pouca gente faz.” – pág. 11
“O que acontece é que as coisas que ele diz causam um certo desconforto em um mundo onde a maioria das pessoas prefere escutar o que está acostumada a ouvir, o que frequentemente não é grande coisa.” – pág. 11

Agora me conta: tem algum livro que marcou a sua vida? Se sim, escreve aqui nos comentários e me deixa saber por quais motivos essa leitura se tornou especial

Beijocas!