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    O menino no alto da montanha

    O menino no alto da montanha é, de muitas maneiras, um livro que surpreende e nos tira o chão. Diferente da maioria dos livros que li que retratam a segunda guerra mundial e o período nazista, nesta história não conhecemos um personagem que seja vítima das atrocidades cometidas nesse período, mas sim um protagonista delas, alguém que as presenciou e até as cometeu. 

    Dividido em três partes, John Boyne nos leva à pré, durante e pós guerra da vida de Pierrot. Logo na primeira parte Boyne nos conta sobre a infância de Pierrot, um francês que vive em Paris com os pais e tem como melhor amigo um judeu que é surdo. Porém, ainda menino, ele acaba por perder os dois pais e, sem outra opção, é mandado para um orfanato na França, onde permanece por pouco tempo até ser contatado pela tia que o leva para morar na mansão na qual é governanta na Alemanha. Lá, ele percebe que todos tem um certo medo do patrão e, aconselhado pela tia, até muda seu nome para Pieter - algo mais alemão - a fim de despertar mais simpatia do mesmo. E logo ele descobre o motivo disso tudo: o patrão não é ninguém mais, ninguém menos que o próprio Adolf Hitler. 


    Não é novidade pra ninguém que me acompanha que sou louca em livros que retratam guerras em geral, em especial a segunda guerra, e não há escritor que a retrate de forma mais única que Boyne. O autor sempre nos traz um ponto de vista inesperado sobre esse tema, e nesse livro não foi diferente. Nunca, em toda minha vida literária, li um livro em que eu conseguisse odiar tanto um protagonista e ao mesmo tempo entendê-lo. Sim, sempre há aquele personagem que não gostamos muito, seja um vilão ou um secundário, mas um protagonista é novidade pra mim.

    O fato é que o autor nos mostra como o meio pode influenciar uma pessoa, especialmente uma criança que está em fase de formação de caráter e ideais. Há uma construção perfeita do personagem, de como ele passa de um menino bondoso para alguém que admira Hitler e compactua com suas ideias. Durante a história, Pierrot, ou Pieter, comete inúmeras atrocidades, tudo em nome de sua lealdade a Hitler, e isso nos enfurece. Esse foi meu dilema com o livro: ao mesmo tempo em que entendia que seu caráter foi resultado de sua formação influenciada por Hitler, eu não conseguia compreender como um ser humano podia ser assim.

    O livro é de diversas maneiras chocante, mas ao mesmo tempo maravilhoso, pois, como já é característica do autor, nos coloca para refletir muito após a leitura, principalmente após o final espetacular que dá à trama. 

    O que mais gosto no autor é essa habilidade dele de representar os seres humanos de forma tão real, explorando essa nossa fragilidade, nossa dualidade, essa facilidade que temos de agir tanto do lado bom como do lado ruim. A peculiaridade de seus livros pra mim é isso, a forma como o autor representa a humanidade. 

    Apesar de se tratar de um tema um tanto pesado e com cenas de dar nó no estômago, a leitura flui rapidamente, nos envolvendo a ponto de não largarmos o livro. Com uma escrita simples - afinal se trata de um jovem adulto -, o autor nos leva por essa história impressionante, que nos faz passar pelas mais diversas emoções enquanto acompanhamos o crescimento de um garoto que segue caminhos tão inesperados. Está mais do que recomendada a leitura!

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    Beijos,