As irmãs Noirot são o oposto das típicas damas da aristocracia inglesa. Desde cedo, muito por conta de sua irresponsável família, tiveram que batalhar para conseguir seu lugar ao sol, e dessa maneira conquistaram uma profissão e acabaram por se tornar modistas de sucesso, com um ateliê rentável que é a base da vida desses mulheres. Por ele, e pelo seu sucesso estão dispostas a praticamente tudo, inclusive bolar um plano de conquistar a noiva de um duque como sua mais fiel cliente.

A protagonista da obra é Marcelline, a mais velha das irmãs, que parte em busca do Duque de Clevedon - Gervaise - por puro interesse. Sua ideia é usar a posição importante dele para agregar reputação a seu ateliê, afinal por melhor que fosse em seu ramo, a sociedade prezava tradicionalismo, algo que não era exatamente o foco das modistas. Para tal, Marcelline tenta seduzir o duque, a fim de lhe mostrar a importância de um vestido bem feito de maneira que ele convença sua noiva, Clara, a se tornar cliente delas. O problema disso tudo é que o jogo de sedução entre os dois pode acabar indo mais longe do que ambos esperavam e trazendo mais problemas do que conseguiam prever.


Confesso que não foi exatamente fácil me envolver com a história. Demorei umas boas 50 páginas para entrar completamente a ponto de não querer largar o livro. A escrita da autora, por ter um foco tão diferente dos romances históricos a que estou acostumada acabou por tornar a leitura um pouco mais lenta para mim. O fato é, esse mesmo motivo foi o que me fez gostar tanto do livro. Diferente de suas companheiras de gênero, Loretta optou por focar no trabalho e na sobrevivência das irmãs Noirot. Em tudo que elas eram capazes de fazer para terem uma vida boa, em como tiveram de lutar para conseguir sua posição em uma sociedade que achava absurdo uma mulher trabalhando. Foi corajoso da autora abordar isso, e ao mesmo tempo, simplesmente brilhante.

As próprias personagens fogem do convencional. Se trabalhar e ter o próprio negócio não fossem suficientes, a autora ainda criou protagonistas que são manipuladoras, que criam estratégias e usam as pessoas, tudo em nome da sobrevivência de sua pequena família e seu ateliê. O ponto mais alto do livro é isso, ver essas mulheres batalhando pelo sucesso de seu negócio e dispostas a tudo para tal. Simplesmente amei a história dela, como são unidas e como conseguiram construir um lar. Além de que, nesse processo de fazer o ateliê crescer, elas acabam passando por situações hilárias, que dão um toque de divertimento e bom humor ao livro.

O romance em si é algo que, para mim, ficou em segundo plano, mas que ainda assim foi muito bem estruturado. A própria questão de se juntar um duque com uma modista foi um ato bravo da autora, afinal é um romance socialmente inaceitável para a época, e acaba por quebrar certos paradigmas, além de nos mostrar como o preconceito social era - e ainda é, se pararmos pra pensar - tão presente. A luta entre o socialmente correto e o que o coração exige é algo que fica explícito no livro e que é gratificante acompanhar, conforme o Duque vai se envolvendo cada vez mais com as modistas, em especial Marcelline.

Para meu primeiro livro de Loretta, fiquei surpresa com como a autora pôde ousar em sua história, em como foi capaz de criar um livro ao mesmo tempo divertido e surpreendente - até reflexivo, eu diria. Esse é um livro que quebra um pouco os padrões do que conheço como romance histórico, mas que nem por isso deixa de ser bom. Muito pelo contrário, a personagem encanta com sua ironia, sua força sua determinação. E o romance por si só é apaixonante, delicioso de acompanhar e nos emociona na medida certa. Apesar de ter um começo mais lento, confesso que amei e estou mais que ansiosa pelo próximo!

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Beijos,