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    Apenas um garoto

    Rafe é um garoto que "saiu do armário" corajosamente aos 13 anos. Ao contrário do que esperava - o receio de toda pessoa que passa por essa situação -, seus pais e seus amigos aceitaram bem sua sexualidade. Aceitaram bem até demais, ao ponto de Rafe e sua mãe passarem a dar palestras sobre se aceitar e aceitar a sua sexualidade, oferecendo apoio àqueles que passaram pelo mesmo medo e dilema de Rafe. Seu maior receio era o preconceito e o bullying que poderia sofrer - algo que, surpreendentemente, não aconteceu. Porém, ao se assumir gay, Rafe passou a ser tachado disso: o menino que se assumiu gay. Ele pode até não ter sofrido bullying, mas ganhou um rótulo de gay quando tudo que queria era ser um menino normal.

    Cansado disso, Rafe decide começar de novo em um colégio só para garotos, um lugar onde ninguém o conhecia, nem sabia que era gay. O problema é que esconder uma parte tão importante de si mesmo pode dar mais trabalho do que ele esperava, ainda mais quando começando a se apaixonar por um de seus amigos héteros.. 

    Tratar de homossexualidade em livros é sempre uma faca de dois gumes, pois até para esse tema temos muitos autores(as) que acabam por estereotipar os personagens. Em Apenas um garoto, no entanto, o autor desconstrói essa imagem que temos dos gays. É fato que, mesmo que involuntariamente, acabemos por rotular as pessoas por diversos motivos, inclusive sua sexualidade. Não são poucas as pessoas que vêem em um homossexual apenas isso: um gay. E o autor representa isso de forma brilhante nesse livro, nos mostra que não é a sexualidade que define uma pessoa, que somos muito mais que nossa opção sexual. 


    O autor consegue nos passar com clareza os sentimentos e conflitos de Rafe. Ao longo da leitura pude compreender muito bem a situação pela qual estava passando e senti forte empatia pelo personagem, que é muito bem construído ao longo da narrativa. Outro ponto de reflexão que o autor traz é a questão de errar e aprender com isso. Rafe, ao longo da história, erra diversas vezes, mas em todas elas ele aprende algo com seu erro, se levanta e segue em frente. Isso faz com que ele tenha um crescimento e um amadurecimento incrível conforme a trama se desenrola. E, com isso, nos conquista ainda mais.

    Os personagens secundários, embora tenham um papel importante na história, não foram bem explorados como eu desejaria, embora tenha um destaque para o interesse amoroso de Rafe. O romance, inclusive, acontece de forma suave e sutil. Age mais como um coadjuvante para o crescimento individual de Rafe - algo que me agradou muitíssimo.

    A narrativa é simples, fluida e envolvente. Esse é aquele tipo de livro que, embora possamos esperar certo drama pelo tema delicado, tem uma narrativa leve e divertida, que nos prende do início ao fim, nos garantindo uma leitura rápida e gostosa de acompanhar. A única frustração do livro é o final, abrupto e sem um fim propriamente dito, com o propósito de - descobri apenas depois que terminei - deixar um gancho para o próximo volume (que a editora Arqueiro pode trazer pra ontem!!!). Mesmo assim, essa é uma leitura que vale a pena, principalmente se está procurando algo reflexivo, mas que seja leve e divertido de ler.

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