Persépolis é uma HQ autobiográfica que conta a vida de Marjane desde a infância à fase adulta, percorrendo todas as fases e obstáculos da vida dela. Marjane é uma mulher iraniana, que cresceu em meio a um ambiente político opressor - em especial para as mulheres - e conservador, e através desse livro nos conta sobre como a repressão política mudou a vida dos iranianos ao mesmo tempo em que narra seu amadurecimento como pessoa e como mulher.

A narrativa é em primeira pessoa e por vezes permeada de tiradas bem humoradas. Começamos o livro com uma Marjane de 10 anos que compartilha conosco os costumes das meninas iranianas, e como ela se sentiu, por exemplo, quando foi imposto à elas que usassem o véu nas escolas. 

Fazendo parte de uma família um tanto moderna, que discutia abertamente a religião e política, Marjane sempre foi bem instruída nessas questões, portanto seu senso crítico foi bem formado, o que reflete claramente na sua narrativa e nas opiniões mostradas ao longo da história. Além disso, a própria relação dela com a família é algo interessante de acompanhar no livro. 

Quando Marjane tem que sair de seu país, outros conflitos são inseridos na trama, como a adaptação dela a um novo lugar, as dificuldades de ser uma estrangeira e ter que sobreviver fora de seu país, e os próprios relacionamentos que ela desenvolve com o tempo.

Ao longo do livro, portanto, ao acompanharmos o crescimento de Marjane, sua trajetória da infância à vida adulta, observamos várias temáticas serem abordadas, todas elas com um cunho reflexivo intenso e uma abordagem de cunho histórico interessantíssima. E o melhor disso é que são temas que, apesar de delicados e extremamente importantes, foram abordados com leveza, de forma clara e direta. 

O mais interessante pra mim, foi acompanhar o crescimento da personagem no Irã. Não só porque é uma cultura totalmente diferente, ainda mais vista pelos olhos de uma criança, mas porque a protagonista é, de certa maneira, um símbolo das mulheres revolucionárias, que buscam a igualdade, tendo ela mesma protagonizado diversas cenas em que não aceita de "bico calado" a opressão contra as mulheres. Marjane é uma personagem admirável, com sua força e determinação, com suas opiniões fortes e sua vontade de lutar, mesmo em meio as tantas perdas que acabou sofrendo por conta disso. Essa questão acaba tornando a história um tanto intensa e emocional, apesar da leveza com que é contada. 

Nunca havia lido desse cunho antes, e não estou acostumada com HQs, mas confesso que amei a leitura. O livro tem uma história riquíssima, seja pelos detalhes culturais, pelos fatos históricos, pela personagem incrível, pelo fato de ser uma história real, ou pela luta por liberdade e a trajetória de construir uma identidade pra si mesma da personagem. Por qualquer ângulo esse é um livro incrível, que vale a pena ser lido e que até emociona pela coragem e audácia da protagonista. 

Vale dizer que, por se tratar de uma HQ, com uma escrita simples e dinâmica, esse se torna um livro pra qualquer tipo de leitor. E garanto que vale a pena, é muito instrutivo, e de certa maneira um choque de realidade pra quem não tem uma verdadeira noção das dificuldades enfrentadas no oriente. É uma leitura excepcional!

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Beijos,