O feiticeiro Gavião é o mais famoso e poderoso feiticeiro de Terramar. Em qualquer canto as pessoas já ouviram falar de seus feitos e sua grandeza, mas antes de ser o conhecido Gavião, o feiticeiro já foi Dunny: um mais novo de sete irmãos que se tornou órfão muito cedo e por conta disso praticamente se criou sozinho em uma das ilhas de Terramar. Ao acaso, sua tia - que é uma bruxa - acaba por descobrir seus poderes e o toma como aprendiz. Ele não tarda a mostrar que tem um talento notável para a feitiçaria, ao ponto de salvar a cidade com seus poderes e chamar a atenção de um praticante da alta feitiçaria. 

Ao alcançar a idade de se tornar um homem, passa a se chamar Ged e começa a trilhar o caminho cheio de percalços que o transformará na lenda que é o feiticeiro Gavião, tendo que enfrentar inclusive seu ego e sua arrogância por ser um homem tão poderoso.

Este livro é um clássico da fantasia, muito conhecido e que logo que eu soube que seria lançado pela Arqueiro já fiquei ansiosa para por minhas mãos nele. E como já esperava: me apaixonei. Como uma boa fã de fantasia não teve como não me encantar por todos os elementos que encontrei ali: magia, criaturas uma jornada árdua, dragões, etc. Sem falar no bom desenvolvimento e na rapidez da história que, embora curta (nem 200 páginas), possui profundidade o suficiente para não deixar nada a desejar.

A estrutura do livro é aquela em que retrocedemos no tempo para descobrir apenas os caminhos que levaram até o ponto onde já estamos. Ou seja, já sabemos que Ged será um grande feiticeiro, o interessante é acompanhar sua trajetória até ali, o seu crescimento, seus obstáculos, suas aventuras. E, já que falei nisso, o protagonista amadurece muito ao longo da história! Aliás, acredito que o ponto seja exatamente esse: o quanto ele teve que lutar com sua própria arrogância para se tornar o que é. No final das contas, seu maior inimigo era ele mesmo.

Mais interessante que a própria história e seu personagem fantástico é simplesmente o fato de saber que esse é um livro escrito muito antes que a maioria das fantasias que conhecemos. É uma das obras que serviu de inspiração para o que conhecemos hoje como fantasia e pude perceber que mesmo sendo um livro mais antigo, ainda assim é uma fantasia de alto padrão, um prato cheio para os amantes do gênero.

Talvez você esteja até pensando que por se tratar de um livro dos anos 60 ele tenha uma leitura difícil, mas venho dizer que não, ele não tem. Na verdade é o oposto, por ser direcionado para um público mais jovem a autora utilizou-se de uma linguagem mais simples para a época, então não encontrei nenhum problema quanto a isso. O livro é bem envolvente e rápido de ler. A narrativa é em terceira pessoa, focada no protagonista e, diferente do que estou acostumada, tem poucos diálogos e mais descrições - embora isso em nenhum momento se torne cansativo ou enfadonho. 

Outro ponto a favor da autora é que, mesmo que fosse uma época mais difícil do que agora, ela ainda assim abordou temas importantes e delicados - mesmo que de forma indireta - no livro, como personagens negros e mulheres em postos de destaque: algo raro na época. Então, além de ser uma fantasia, temos todo esse pano de fundo bem pensado que torna a obra muito mais que uma simples história de um "herói". 

O feiticeiro de Terramar me surpreendeu muito e já conquistou meu coração. É uma fantasia muito bem trabalhada, com um universo bem estruturado, com elementos tradicionais do gênero, um protagonista que cresce durante a história e um contexto que é impactante para a época. É um prato cheio e diria que até uma leitura obrigatória para amantes da fantasia. 

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Beijos,