Sem olhar para trás é um livro que não era nada do que eu esperava e que mesmo assim conseguiu conquistar um espacinho do meu coração. Eu nunca tinha lido nada da autora (que é brasileira!), então fiquei surpresa com o que encontrei e já posso recomendar pra todo mundo! 


O livro narra a história de Agatha, uma mulher que sofreu por um bom tempo com o abuso de seu marido, um homem cruel, que pensa só em si mesmo e que acredita que mulher é um ser inferior e merece tudo que recebe, que pede por tudo que sofre. Por muito tempo Agatha aguentou os abusos, mas quando é o seu filho que entra na reta ela vê que precisa tomar uma atitude para protegê-lo, então parte para uma nova cidade, pra recomeçar e lá ela percebe que não está sozinha como imaginava.

Não sei nem por onde começar a falar desse romance, que no fim das contas é muito mais do que um romance. Acho que primeiro, vou começar por Agatha, uma protagonista admirável, mas que nem todos (acredito eu) a verão pela força que tem. Não posso dizer que entendo pelo que ela passou porque nunca sofri abusos da maneira como ela sofreu, mas acredito que não é fácil. E podemos todos dizer "aaah, mas ela podia ter terminado o casamento antes e blábláblá", mas a gente nunca pode julgar sem ter vivido não é mesmo? Para uma mulher que teve a vida como ela teve, a decisão e a força de encarar um futuro incerto é algo para se aplaudir de pé. Sim, ela começou como uma mulher fragilizada, cheia de medo do mundo, mas na situação dela é algo muito justificável. O que conta é a força que ela demonstrou e mudança sutil que teve pra uma mulher firme, corajosa e segura de si.

Podemos dividir o livro em duas partes: o antes (quando Agatha ainda estava presa ao casamento e vivia todos os abusos sem saber o que fazer ou a quem recorrer) e o depois (quando ela decide abandonar tudo pelo bem de seu filho e começa uma nova vida). Devo dizer que ambas as partes foram bem desenvolvidas pela autora, e destaco a primeira, pois não é fácil escrever sobre abuso e a autora conseguiu com louvor escrever sobre algo tão delicado e tão forte de maneira leve e realista. 

Sobre o romance o que posso dizer é que amei de verdade o mocinho, que é um exemplo de homem, todo carinhoso, generoso e altruísta. É fácil se apaixonar por ele. O que eu não gostei tanto, foi da facilidade com que todos os problemas de Agatha ficam em segundo plano quando o romance acontece. Acredito que a autora poderia ter deixado o romance em si mais em segundo plano, mas mesmo assim ainda gostei de como as coisas se desenvolveram entre os dois. 

A narrativa é em terceira pessoa e alterna o ponto de vista entre vários personagens, o que faz com que nos envolvamos com todos eles e não só o casal protagonista. Os personagens secundários acabam ganhando um espaço enorme na história - coisa que eu gosto e muito! - e ficamos curiosos com suas histórias também! Devo destacar Gabriel, o filho de Agatha, que rouba a cena todas as vezes com sua fofura (já mencionei o quanto gosto de livros com crianças?). 

Sobre a menção a Deus, que se faz um destaque à Ele na capa do livro, há sim algumas passagens que se fala de fé, mas não é algo tão grande como se pode esperar, é algo mais sutil, mais natural, e confesso que gostei pois estava esperando algo mais religioso, o que não é o caso. 

De modo geral o livro é muito envolvente, tem uma escrita objetiva e fácil, com um tema tão real abordado de forma tão leve e natural, mas que ainda assim expõe o horror que milhões de mulheres sofrem pelo mundo. Um romance fofo e bem desenvolvido e personagens muito cativantes. Acredito que o final tenha sido um pouco corrido e deixou a desejar, mas não ofuscou o brilho da história que é encantadora apesar da parte mais triste e trágica da mesma. Super vale a pena ler!

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Beijos,