Uma chance para recomeçar é um livro nacional, que aborda um tema bem delicado mas muito relevante e que manteve uma relação de amor e ódio comigo. A autora nos narra a história de Aurélio e Carina. O primeiro é um homem um tanto amargurado devido à sua deficiência visual e a todas as marcas que carrega no corpo devido a um acidente em seu passado. Ele se tornou complexado por conta de seu exterior e nutre uma auto-aversão e preconceito por si mesmo que o impede de ter uma vida plena e feliz.

Carina é uma mulher independente, uma mocinha rica mas que tem um bom trabalho e vive para ele, tanto que teve uma paralisia facial por conta o estresse, que é como acabou por conhecer Aurélio. Mesmo sendo uma mocinha forte nesse sentido, Carina é uma mulher com baixa auto-estima, que não se acha bonita e por esse fato não tem muitas experiências com homens. Tudo isso complica ainda mais a relação de autos e baixos que ela constrói com Aurélio nesse livro. 

O primeiro fato que tenho a dizer é que são dois personagens complexados, com conflitos interiores muito grandes que só tornam mais difícil fazer dar certo entre eles. Ainda mais quando um deles - Aurélio - parece estar disposto a fazer tudo o que pode para se auto-sabotar. O fato é que, talvez pelas personalidades complicadas dos dois mocinhos, esse foi um romance difícil de acontecer e que, por muitas vezes se tornou repetitivo e cansativo. Os personagens pareciam estar rodando em círculos a maior parte das vezes, com Aurélio sendo um grosso, amargo como sempre, e Carina correndo atrás. Ele fazia merda, e depois se desculpava. Ficou nesse ciclo por um bom tempo. Até entendia suas motivações, considerando tudo por que ele passou, mas acho que tem um certo limite, e depois disso só passou a ser irritante. 

Claro que, mais pro final do livro, o personagem muda seus conceitos sobre si mesmo, e amadurece bastante, mas mesmo assim, por grande parte do livro ele mantém sua amargura, e, confesso, acabei achando a mudança um tanto rápida demais.

Por outro lado, eu gostei do tema abordado. Foi um ponto de vista novo pra mim, acompanhar um personagem que tem tanto complexo com sua própria deficiência, que não se aceita de maneira alguma. Imagino que é uma situação difícil pra qualquer um, e cada um lida de um jeito, mas Aurélio levou a um extremo que eu não conhecia. Porém, acredito que essa é uma situação que a gente só entende de verdade se viver, e por isso minha relação de amor e ódio com o livro: meio que consigo entender os motivos dele, mas não consigo aceitar completamente seu comportamento. 

Outra coisa que quero ressaltar, que é um mero detalhe mas que amei, foi o fato de a autora ter ambientado seu livro em uma cidade brasileira. Não são muitos os nacionais que vejo que usam nosso país como cenário e eu amo ver a nossa terrinha representada nos livros! 

De uma maneira geral o livro se manteve nesse limiar. Gostei de alguns pontos, me irritei com outros, mas é uma obra que ainda vale o tempo investido, por mais que seja um pouco repetitivo e cansativo de ler. A narrativa da autora é fluida, e facilita esse processo. Recomendo que leiam e tirem as próprias conclusões, afinal, cada um tem sua própria opinião. 

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Beijos,