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    O Mínimo para Viver - Um filme sobre luta diária


    O Mínimo para viver (To The Bone) é um filme independente comprado pela Netflix após ser exibido no Festival de Sundance no início deste ano. De antemão, gostaria de ressaltar a sua importância, principalmente pelo assunto abordado. Temas como depressão, ansiedade, alcoolismo, suicídio e luta de minorias (negros e LGBTS) vem cada vez mais sendo retratados hoje em dia, para que tenhamos mais conhecimento e informação. Agora é a vez de falarmos sobre distúrbios alimentares.

    Em termos de qualidade, já começamos pelo elenco. A protagonista, Ellen, é interpretada por Lily Collins (seus papéis mais conhecidos em Simplesmente Acontece e Instrumentos Mortais). Ellen tem 20 anos e acaba de fugir de mais uma internação. Ela é anoréxica, e sua doença faz com que ela se veja constantemente acima do peso desejado, criando por consequência aversão a comida, contagem de calorias, e até mesmo exercícios físicos inconstantes. Como se isso não bastasse, Ellen tem problemas familiares. Seus pais são separados, a mãe é lésbica e mora em outro estado com sua mulher. Já o pai, é completamente ausente, prefere não encarar a situação da filha e deixa tudo nas mãos da madrasta de Ellen, Suzan (Carrie Preston). Tanto que ele nem aparece em nenhuma cena sequer.

    E é aí que o filme começa a pesar na nossa consciência. Quando Ellen volta para a casa do pai, sua meia irmã (Liana Liberato) faz o papel de interlocutor, já que não entendemos como funciona o psicológico do doente, afinal, para nós é muito simples, “é só comer”, como ela mesma diz. E é o mesmo que pensamos de pessoas com depressão e ansiedade: “É só levantar da cama, é só procurar ficar feliz”. Entretanto, não é tão simples quanto parece.
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    Ellen tem personalidade, é um artista que adora desenhar. Mas durante o filme, só ficamos assustados com a sua aparência e a forma que ela tenta não lidar com o problema, fugindo de ajuda e de qualquer outro tipo de suporte, alegando estar bem o tempo todo. Particularmente falando, tenho um apreço muito maior quando atores e atrizes tem de fazer sacrifícios para suas interpretações, como perda ou ganho de peso excessivo. Lily Collins teve uma performance excelente devido à essa dedicação, causando muito mais aflição no telespectador não só pelo roteiro, mas também por seu aspecto físico.

    Vivemos a sua luta constante em atividades que nos parecem simples, como comer, e que essa doença é um vício incontrolável como qualquer outro.

    A família que deveria dar suporte, parece julgá-la ainda mais. E é exatamente o que acontece em outros casos, como a própria depressão já citada. Todos estão mais preocupados com si mesmos do que realmente com o que Ellen está sentindo. Até que sua madrasta Susan procura um especialista que talvez possa ser seu último recurso de esperança para uma vida saudável e feliz para a jovem.

    O Dr. William Beckham é interpretado nada mais nada menos que Keanu Reeves, um médico nada convencional e realista que deixa claro a situação e o riscos que Ellen pode correr, por isso a interna novamente. Recusa a ajudá-la se ela mesma não quiser se ajudar. Nas sessões de terapia com ele, é ressaltado ainda mais que essa luta depende dela, como acontece com outros de nossos problemas. Pra sairmos deles, temos que lutar, infelizmente sozinhos.
     
    Na casa da reabilitação conhecemos outros jovens com os mesmos distúrbios e situações, Luke (Alex Sharp) é um deles. O britânico excêntrico e positivo que tenta motivar os outros pacientes e a si. Apesar dos outros personagens não serem bem desenvolvidos durante e nem no desfecho do filme, ele nos dá nuances de quebra do drama, me fazendo rir e acreditar que nem tudo estava perdido para Ellen. Luke também tem seus problemas e conflitos, ainda sim despertou em mim uma grande afeição, e fez Ellen estabelecer uma conexão diferente das que tinha com as outras pessoas. É incrível a forma que ele consegue tirá-la daquele mundo submerso e cansativo.


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    A sensação constante é de que Ellen vai acabar morrendo e sentimos raiva por ela simplesmente não se cuidar. Então entendemos que não se trata dela não querer, a sua própria consciência não permite, motivada pelos seus problemas em casa, baixa autoestima e solidão. A sua situação é gradativa, a ponto de me fazer chorar com cenas chocantes e desconfortáveis, principalmente nas de semi-nudez. As circunstâncias impostas à ela deixam evidente seus sentimentos sobre si mesma e as pessoas ao redor dela. A mesma diz a sua mãe: "Obrigada por deixar claro que não sou mais uma pessoa, e sim um problema". Abrangente, reflete todos os aspectos sobre como nós devemos compreender mais do que julgar a saúde dos outros. Tratarmos como humanos não como adversidades. Com uma fotografia excelente, O Mínimo pra Viver tem um roteiro de Martin Noxon impecável e realista, pois o mesmo já sofreu de anorexia. Apesar de não apresentar soluções claras sobre distúrbios alimentares, o filme é uma porta de entrada para conhecermos o aspecto de vida dessas pessoas, e o que elas passam no dia a dia. Tocante e emocionante, também nos dá uma perspectiva de vida que não poderíamos ter imaginado, e ainda traz um debate do quão perigoso é a anorexia.
    Texto por: Ingrid