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    A Viúva

    Sabe aquele livro que você lê a sinopse e imagina o final, porém mesmo assim insisti em ler? Aconteceu isso com “ A viúva”. Eu me encantei pela diagramação quando vi o livro na livraria e o comprei sem nem pensar.

    O livro de estreia de Fiona Barton nos traz muitas reflexões e uma narrativa densa e intensa. A história é contada em flashbacks sobre o sequestro e “possível” assassinato de uma garotinha que foi levada de sua casa quando brincava no jardim sozinha. O diferencial do livro é que desde o início o leitor sabe quem cometeu o crime mesmo que a autora tente implantar algumas dúvidas. Só que o óbvio da história é muito mais interessante do que o mistério, pois desta forma Fiona pode explorar bem a memória dos personagens e narrar com muita astucia todos os acontecimentos sob a perspectiva da viúva do suspeito, do detetive, da jornalista e da mãe da criança.




     O longo dos anos, Jean Taylor deixou de contar muitas coisas sobre o terrível crime que o marido era suspeito de ter cometido. Ela estava muito ocupada sendo a esposa perfeita, permanecendo ao lado do homem com quem casara enquanto convivia com os olhares acusadores e as ameaças anônimas.

    No entanto, após um acidente cheio de enigmas, o marido está morto, e Jean não precisa mais representar esse papel. Não há mais motivo para ficar calada. As pessoas querem ouvir o que ela tem a dizer, querem saber como era viver com aquele homem. E ela pode contar para eles que havia alguns segredos. Afinal, segredos são a matéria que contamina (ou preserva) todo casamento.

    Narrado das perspectivas de Jean Taylor, a viúva, do detetive Bob Sparkes, chefe da investigação, cuja carreira é posta em xeque pelo caso, e da repórter Kate Waters, a mais habilidosa dos jornalistas que estão atrás da verdade, o romance de Fiona Barton é um tributo aos profissionais que nunca deixam uma história, ou um caso, escapar, mesmo que ela já esteja encerrada.

    A protagonista do livro, Jean Taylor é uma personagem muito curiosa e com vários conflitos emocionais. É interessante ver o poder que o seu marido Glen ( suspeito) mantém sobre ela ao mesmo tempo em que o seu “eu” interno luta para tomar as rédeas de sua vida. Em vários momentos, eu torci para que ela o abandonasse e quebrasse a casa toda, mas como a narrativa se passa no passado e no presente, eu sabia que isso não tinha acontecido.

    O mais impressionante para mim foi a forma como a autora conseguiu amarrar a história e despertar o interesse do leitor, como eu disse, não é fácil prender a atenção com as soluções estampadas logo no primeiro capítulo. Creio que a autora quis brincar com isso e se aprofundar na cabeça de uma pessoa que não fazia ideia de que seu marido era um monstro. 

    Um trilher psicológico muito bem escrito e com um bônus a mais porque foi inspirado no caso da garotinha desaparecida em Portugal faz alguns anos. Fiona é jornalista e investigou bastante o sequestro da menina na época, isso a motivou a escrever “A viúva” e a destacar questões como pedofilia, pornografia infantil e manipulação. Impressionante como Glen Taylor conseguia manipular a sua esposa. Achei que isso não fosse possível e cheguei até a duvidar da sua culpa, mas isso só prova o quanto a autora explorou bem a mente dos personagens e de quebra a dos leitores também.

    Recomendo a leitura e aconselho que você a faça com calma e aprecie a diagramação que está linda e cativante.

    Beijos,

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