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    Atypical

    Você imaginaria uma série sobre autismo? Ainda melhor, uma série que fala de autismo sem ser piegas? Essa é Atypical, mais um dos muitos acertos de produção da Netflix.


    Pra ser franca, eu não tinha o mínimo de noção sobre o que é autismo e nem como familiares de um autista convivem e lidam com isso. Suponho que você também não, e esse é um dos pontos surpreendentes, a série te leva pra um mundo desconhecido e faz você aprender com os personagens de forma sucinta e muito, mas muito engraçada.

    Criado por Robia Rashid (How I Meet Your Mother), acompanhamos a jornada de Sam (Keir Gilchrist), um adolescente que apesar do seu transtorno neurológico (porque sim, autismo não é uma doença e sim um transtorno crônico), quer ser mais independente e fazer coisas que todos nós julgamos como normais, mas que para ele pode ser um conjunto de atividades um tanto difíceis, como arranjar uma namorada.
     A escolha de Keir, que interpreta o protagonista, não poderia ser melhor. Partimos dessa premissa entendendo as atitudes de Sam ao decorrer de apenas 8 episódios com cerca de 30 minutos cada, nos envolvendo profundamente com as decisões que ele toma baseando-se nos conselhos de Julia (Amy Okuda), sua terapeuta e seu amigo Zahid (Nik Dodani), que produz diálogos escrachados dos quais Sam muitas vezes não compreende, mas que rende boa parte das nossas risadas.


    Já a mãe de Sam, Elsa (Jennifer Jason Leigh), acostumada a simplesmente a ser mãe e cuidar do filho por tantos anos, não acha a ideia boa e chega a discordar do incentivo à autonomia da terapeuta. Ainda sim, por se sentir tão presa a esse papel, ela e o pai do garoto vão caminhando em sentidos opostos, porque ela tenta sair dessa função enquanto Doug (Michael Rapaport) tenta se aproximar mais do filho que sempre foi distante. E também temos a melhor personagem da trama, Casey (Brigette Lundy-Paine), a irmã do protagonista, que se sente cansada por sempre ter que dividir a atenção dos pais devido ao transtorno do irmão, e tem a forma de amor com ele mais natural e desenvolta do que os outros. 


    Eu que sempre estive acostumada com o humor de sitcoms, encarei Atypical de forma muito diferente. Porque esperava o drama mais em evidência, e não os tantos nuances de humor que a série tem. A história é tão leve, e infelizmente tão curta, que você assiste numa tarde inteira e nem percebe a hora passar. A construção dos personagens é quase individual, mas cada uma interfere na relação com as dos outros. Quase como núcleos diferentes que vão se interligando. Cada um com sua própria personalidade, peculiaridades e formas de lidar com a situação. Além disso, observamos as inclusões sociais e as reações de quem está por fora como nós, e não captam a forma que Sam encara e aprende com o mundo. 

    As atuações de outros coadjuvantes também não deixam a desejar. Os episódios são bem dirigidos e a fotografia traz o tom acalentador com contrastes suaves que devem ter. Sua estreia foi 11 em de Agosto, ainda não há notícias de uma segunda temporada, mas o último episódio deixam ganchos que que garantem isso para a minha felicidade. Comentem aqui o que acharam, e se ainda não viram, é uma oportunidade e ótima porta de entrada para entender melhor o autismo e ter mais temas não discutidos em séries de TV ou serviço de streaming.
    "Cara, ninguém é normal."


    Classificação:

    Texto por: Ingrid

    Assista ao trailer legendado: