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    Tartarugas Até Lá Embaixo

    Das coisas que mais me agrada em escrever ou ler, é como podemos ser transformados por isso. John Green tem esse dom maravilhoso de podermos fechar o livro com uma perspectiva diferente. Em Tartarugas Até Lá Embaixo, há alguns "pecados" que talvez se, consertados, seria uma história tão boa quanto Quem é Você, Alasca?, ainda sim, o livro nos passa uma mensagem breve de como é a vida e como escolhemos (se pudermos escolher) vivê-la.

     A história se passa em Indianápolis, quando uma garota chamada Aza Holmes sofre de um transtorno de ansiedade que tortura sua mente. Ela e sua melhor amiga Deisy se interessam pela recompensa oferecida para quem souber do paradeiro ou alguma informação do engenheiro e empresário Russel Pickett, que desapareceu após a polícia descobrir seus esquemas de corrupção. Aza e Deisy não provém de condições financeiras suficientes para pagar suas futuras faculdades, mas as duas têm inteligência, então partem para a investigação.

     Publicado no último dia 11, e comprado pela minha pessoa na pré venda, a empolgação me rendeu metade do livro já lida em um dia. Mas, por seus motivos, demorei um pouco pra finalmente terminar.

    Um desses motivos são os personagens não tão cativantes como eu esperava que fossem. Green é o rei dos diálogos, dos sarcasmos, e criou personagens com personalidades muito fortes até aqui em suas outras tramas. Não que o livro não tenha ninguém apaixonante, aquele que já escolhemos como preferido. O problema é que a personagem mais cativante também consegue ser chata às vezes. E estou falando de Deisy, a melhor amiga de Aza.

    Acompanhamos Holmes e sua batalha mental contra si mesma em situações simples para algumas pessoas, mas não pra ela. O autor, por sofrer o mesmo tipo de transtorno, descreve muito bem como é ser e se sentir daquela forma, e isso provoca empatia no leitor. Afinal, não sabemos de verdade o que cada um passa. No entanto, Holmes não tem características empáticas além dessas, a ponto de fazer eu me importar com a forma em que ela vê as coisas.

     Davis, o filho mais velho do desaparecido, era amigo de infância de Holmes. Ele tem um irmão mais novo que sofre com o desaparecimento do pai, mas suas histórias são pouco exploradas. Acreditei que o foco seria a investigação ou na família Pickett, mas Green acaba entrando numa estrada e dá meia volta.Davis tem paixão por astronomia e um interesse em Aza que, para mim, foram as partes mais maçantes do livro. O romance de ambos não deveria nem ser considerado romance, primeiro por Holmes ter dificuldade em se relacionar com as pessoas, mas também por Davis ter o que tem de dinheiro, ter de entediante.

    Os pontos positivos são as inúmeras referências a Star Wars, para quem curte, o livro vai render nuances mais divertidos. John acerta mais uma vez em criar frases impactantes, tais como:

    "A vida é uma história que contam sobre nós, não uma história que escolhemos contar"

    A trama é corrida em algumas partes, e pouco trabalhado em outras das quais senti falta. Nada grande ou impactante acontece, mas sua mensagem principal  é simplesmente que a vida sempre continua, não importa os obstáculos que tenhamos. E que às vezes, o maior desses obstáculos, pode ser nós mesmos. Em suma, a magia em ler esse livro foi entender que podemos aprender bastante como o nosso próprio eu.


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