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    Fraude legítima

    Quem conhece as histórias de E. Lockhart não vai se surpreender quando eu disser que esse livro é algo completamente inesperado. A autora tem esse dom de surpreender o leitor e seguir por linhas não tão tradicionais que nos mantém fascinados com suas histórias. Desde que li O histórico infame de Frankie Landau-Banks e, em seguida, Mentirosos, tive a certeza absoluta de que quando quisesse algo pra me surpreender deveria ler um livro de Lockhart.

    Assim como em seu lançamento anterior, o mais recomendado pra quem quer ler esse livro é saber o menos possível sobre a história. Primeiro porque nós, que já lemos, dificilmente conseguiríamos explicar uma história dessas. Segundo porque é muito mais instigante acompanhar a história sem a mínima ideia do que vai acontecer. Por esse motivo, não vou dizer mais sobre a trama do que o que vocês encontrariam na sinopse, e falarei apenas o que achei da história.


    O livro traz a história de duas órfãs: Jule e Imogen. Apesar de partilharem o fato de serem órfãs, elas não possuem nada mais em comum. Uma é podre de rica e tem tudo tão a seus pés que foge de qualquer responsabilidade. A outra tem que se adaptar às situações que a vida lhe impõe para sobreviver. Mesmo com as diferenças, anos depois de se conhecerem na escola, elas se tornam melhores amigas. Ao menos até que alguns acontecimentos levam ao suicídio de Imogen, que deixa uma Jule com a herança da amiga e sem saber bem o que fazer.

    A primeira coisa a se dizer sobre esse livro é que ele não segue uma narrativa comum. Não temos uma linha de tempo linear. Pra falar a verdade o livro meio que começa do fim. De fato, o primeiro capítulo é na verdade o penúltimo. Só esse fato já torna o livro muito mais interessante pra mim. A autora conta a história seguindo o pressuposto de que o leitor está completamente por dentro da história - o que não é verdade, é claro - e isso só serve para aguçar ainda mais a nossa curiosidade. Queremos entender o que está acontecendo, o porquê de determinada cena e isso só nos é explicado mais à frente na história. 

    Outro ponto interessante é o fato de não sabermos de verdade até que ponto o que nos está sendo contato é verdade ou mentira. Não conseguirei explicar isso muito bem, mas a personagem nunca deixa claro o suficiente se a história que conta de fato aconteceu. Esse fato é algo que pode deixar o leitor confuso algumas vezes, sem saber se estamos entendendo corretamente os acontecimentos, mas que no resultado geral das coisas é um fato bem positivo. É uma das coisas que permitiu que fôssemos tão surpreendidos com o desfecho.

    O que nos ganha em Fraude legítima é justamente essa narrativa incomum e os personagens não convencionais. É tudo tão diferente, tão original, que não sabemos se ficamos perdidos na história ou só embasbacados com a habilidade da autora de nos engambelar e nos surpreender. Só posso dizer que o resultado final da obra é extraordinário. Uma história que não segue os caminhos esperados, que não é convencional e que arrebata o leitor com seus mistérios. É um livro com uma trama inteligente, que suga o leitor para que preste atenção em cada detalhe para tentar se achar na história. É um livro simplesmente sensacional. 

    Classificação




    Beijos,