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    Uma noiva para Winterbone

    Lisa Kleypas é uma das minhas autoras favoritas de romances históricos e não há um só livro seu que eu não tenha gostado. Todavia, devo mencionar que em Uma noiva para Winterbone Lisa ultrapassou todas as minhas expectativas, entregando um romance tão delicioso, crível e lindo que não sei nem explicar. Rhys marcou seu lugar a ferro no meu coração e vai ser difícil tirar ele e Helen do pódio de melhor casal.

    O livro é a continuação de Um sedutor sem coração, onde conhecemos a família Ravenel , pertencentes a aristocracia, mas sem um tostão furado – ao menos até os eventos do primeiro volume da série mudarem essa situação com o casamento de Kathleen e Devon. Neste volume a história contada é a de Helen, uma jovem muito tímida e inocente, que por ser protegida por tanto tempo não conhece os traquejos necessários para lidar com um pretendente, apesar de o dito cujo ser um homem sensual, que desperta seu interesse.

    Desde que ouviu a voz de Helen pela primeira vez, quando estava acamado, Rhys decide que a fará sua. Acostumado a lutar pelo que quer, ele não mede esforços até obter o noivado que tanto deseja. E mesmo que sua insegurança por ser de uma classe inferior (dos que formaram fortuna pelas próprias mãos e trabalho), sua falta de sutileza, e a inocência de Helen coloquem tudo a perder, fazendo Kathleen pôr fim ao noivado dos dois, ele insiste, chegando ao ponto de ambos decidirem comprometer a virtude de Helen para garantir o casamento.

    Helen é de uma surpresa agradável. A mulher tímida e insegura que se apresenta para nós desde o primeiro livro começa a pôr suas garras de fora e a “bater o pé” pelo que quer, a começar pelo casamento com Rhys, do qual vai atrás para mostrar o que quer. Sua inocência não permitiu que ela reconhecesse os sentimentos da atração e do desejo logo de cara, deixando-a confusa, mas ela logo começa a entender o que sente e não tarda a mostrar isso a Rhys.

    Ele que por sua vez gosta de se mostrar duro e inflexível como um bom galês, logo mostra seu lado gentil e carinhoso, disposto a ceder, a ser mais suave e paciente, assim que percebe que o maior problema de Helen é sua timidez e não sua arrogância aristocrática (que de fato não tem nenhuma, ao contrário do que ele pensava).

    O romance dos dois vai deslanchando aos poucos, assim como o amor que surge entre eles. É algo que acontece tão naturalmente que nem conseguimos dizer ao certo exatamente quando foi que aconteceu, quando a relação deles virou amor. É uma delícia de acompanhar os diálogos divertidos e sensuais, as escapadas dos dois ao longo do noivado para se encontrar, os dois batendo de frente com todos pelo relacionamento deles.

    O suspense da história fica por conta do segredo de Helen que, apesar de bobo em certos termos, surpreende ao leitor e serve para acrescentar certa tensão à história à medida que ela esconde o fato de Rhys, temendo que isso acabe com o noivado deles, mas sabendo que uma hora ou outra teria de ser honesta.

    Além dos personagens principais, que são super cativantes e se transformam ao longo da leitura, os personagens secundários merecem um destaque a parte, principalmente as personagens femininas. A médica de Rhys, a condessa que cuida das meninas Ravenel, todas duas mostram a força das mulheres da época, a dificuldade em ser independente, a dificuldade de uma mulher ter segurança e estabilidade. Elas mostram como a sociedade era machista, evidenciando como uma mulher não era nada se não tivesse um homem ao seu lado e como era difícil para elas se optassem por lutar contra isso. Palmas para Lisa Kleypas por explorar esse lado da sociedade aristocrática tão bem.

    Quanto à escrita de Lisa, essa nos envolve desde as primeiras páginas, fluindo em um ritmo gostoso, nos entregando uma narrativa leve e divertida, característica de seus romances históricos. É fácil se perder em suas palavras e só voltar ao mundo real depois de o livro acabar.

    Uma noiva para Winterbone é um daqueles livros despretensiosos que nos conquistam pelo romance leve e sincero. Os protagonistas são apaixonantes e a construção da história é excepcional, tanto na elaboração do romance principal quanto nas críticas sociais das entrelinhas. É, de longe, um dos melhores romances históricos que já li.

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    Beijos,