7 filmes para desacelerar e sentir

O cinema costuma ser visto como uma forma de escapar da realidade, mas algumas produções fazem o caminho inverso e devolvem o espectador para a própria vida. São histórias sem grandes reviravoltas, com personagens comuns enfrentando dúvidas, perdas e pequenas alegrias. A seleção a seguir reúne sete filmes que encontram beleza no cotidiano e nos silêncios.
‘Dias Perfeitos’ (2023)
O filme de Wim Wenders acompanha Hirayama, interpretado por Koji Yakusho, que trabalha como faxineiro de banheiros públicos em Tóquio. A rotina do protagonista é sempre a mesma: acordar no mesmo horário, ouvir fitas cassete no carro, fotografar árvores e almoçar sozinho no parque. Em vez de mostrar essa vida como uma prisão, o diretor filma a repetição como uma forma de presença. O longa não explica o passado de Hirayama de forma organizada, e o silêncio sobre sua história é intencional. A produção faz referência ao conceito japonês komorebi, que descreve a luz do sol filtrada pelas folhas das árvores. Onde assistir: MUBI.
‘Nomadland’ (2020)
Chloé Zhao dirige Frances McDormand como Fern, uma mulher que perdeu o emprego após o fechamento da empresa que sustentava sua cidade. Ela vende o que tem, compra uma van e passa a viver em trânsito pelos Estados Unidos. O filme tem tom quase documental, com nômades reais interpretando versões de si mesmos. A vida de Fern é apresentada como uma resposta ao colapso econômico e também como uma escolha, já que ela poderia parar e não para. A diretora não romantiza nem condena esse estilo de vida. Onde assistir: Disney+.
‘Frances Ha’ (2012)
Noah Baumbach dirige Greta Gerwig, que também coescreveu o roteiro, como Frances, uma dançarina de 27 anos que mora em Nova York e não consegue ser promovida no grupo em que trabalha. O filme é em preto e branco e tem ritmo mais lento que a maioria das produções da década passada. Frances não é apresentada como alguém para ser admirada ou lamentada. A trama aborda a distância entre a vida que se imaginou ter e a vida que se está vivendo, sem transformar essa diferença em drama. Onde assistir: MUBI.
‘Lost in Translation’ (2003)
Sofia Coppola dirige Bill Murray e Scarlett Johansson em Tóquio. Bob Harris está na cidade para gravar um comercial de uísque, e Charlotte acompanha o marido que trabalha por lá. Nenhum dos dois sabe o que fazer consigo mesmo. O filme é construído sobre a sensação de estar fora do lugar, entre uma fase que terminou e outra que ainda não começou. Bob e Charlotte não vivem um romance convencional, mas uma conexão que dura o tempo da viagem. Onde assistir: Apple TV+ e Amazon Prime Video.
‘Drive My Car’ (2021)
Ryusuke Hamaguchi adapta o conto de Haruki Murakami do livro “Homens sem Mulheres”. Yusuke Kafuku é um ator e diretor de teatro que perdeu a esposa e, meses depois, precisa ensaiar uma peça em outra cidade. Ele vai ao trabalho todos os dias em um Saab vermelho dirigido por uma motorista que mal conhece. As conversas dentro do carro se tornam o espaço onde o luto começa a se mover. O diretor coloca as cenas mais densas dentro do veículo em movimento, onde não há para onde olhar além do para-brisa. Onde assistir: MUBI e Amazon Prime Video.
‘Aftersun’ (2022)
Na estreia de Charlotte Wells na direção, Sophie, de onze anos, viaja com o pai Calum para um resort na Turquia. Anos depois, adulta, ela revisita imagens gravadas em câmera MiniDV e tenta entender o que acontecia com o pai naqueles dias. O filme funciona em duas temporalidades e diz mais pelo que não mostra. A infância de Sophie é filmada com textura granulada, e os silêncios de Calum, interpretado por Paul Mescal, carregam o peso de algo que a câmera da menina não captava. Onde assistir: MUBI e Amazon Prime Video.
‘Dor e Glória’ (2019)
Pedro Almodóvar dirige Antonio Banderas como Salvador Mallo, um cineasta veterano que não consegue mais trabalhar. O personagem enfrenta dores físicas, bloqueio criativo e a lembrança de uma infância pobre no interior da Espanha. O filme não é uma autobiografia literal, mas traz um tom mais contido que o habitual do diretor. A vida do protagonista é organizada em torno de perdas acumuladas, e a trama sugere que entender a própria origem pode ser o caminho para voltar a criar. Onde assistir: Amazon Prime Video e Apple TV+.


