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Brasil: Originalidade e força no mapa-múndi

Por Romances e Leituras · · 3 min de leitura
Brasil: Originalidade e força no mapa-múndi
Brasil: Originalidade e força no mapa-múndi

O Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2026, e o evento reacende o debate sobre a autoimagem do país. A cada quatro anos, milhões de brasileiros se unem para torcer pela seleção, em um momento que o cronista Nelson Rodrigues, em 1958, definiu como capaz de vencer o "complexo de vira-latas". Para ele, a conquista do título mudaria a forma como o brasileiro se enxerga.

O país apresenta contradições que são exportadas para o mundo. O jornalista Claudio Leal, doutor pela ECA-USP, afirma que uma das maiores contradições brasileiras é a convivência de uma cultura popular de alto nível com a realidade do horror político, da concentração de renda e da violência. Exemplos recentes dessa produção cultural incluem a vitória do filme "Ainda Estou Aqui" no Oscar e a indicação de "O Agente Secreto" ao Globo de Ouro. Na música, Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global. Na literatura, a escritora Ana Paula Maia é finalista do International Booker Prize. Nas artes plásticas, a pintora Marina Perez Simão ocupa o 85º lugar no Hiscox Artist Top 100.

No ranking Global Soft Power Index 2026, o Brasil subiu duas posições e entrou no top 30 entre 193 países. Em 2025, o Brasil foi eleito o Creative Country of the Year no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, a primeira vez que um país recebeu essa homenagem. No mesmo ano, foi o País de Honra do Marché du Film, o maior mercado cinematográfico do mundo. Na moda, a Granado tem dez lojas próprias no exterior, e a Farm opera lojas nos Estados Unidos, França, Itália, Dubai, Argentina e México.

Esses resultados são fruto de décadas de produção cultural e criativa do Brasil. Claudio Leal destaca que a cultura brasileira de maior força ainda se baseia na combinação de elementos africanos, indígenas e ibéricos. Ele ressalta que as artes e a indústria da beleza não podem ignorar as mudanças na sociedade de consumo e a emergência de vozes políticas negras, indígenas, femininas e LGBTQIAPN+, que ampliaram a compreensão do que é belo e brasileiro.

Julio Ludemir, idealizador da Festa Literária das Periferias (Flup), pondera que a excelência de filmes de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho representa um Brasil muito particular, de dois homens brancos heterossexuais. Para ele, o Brasil periférico, negro e indígena terá mais chances de sucesso internacional, desde que haja políticas de Estado que promovam o intercâmbio cultural. Ludemir afirma que os estrangeiros amam o Brasil sem saber exatamente quem somos, como um grande país negro com figuras como Conceição Evaristo, Beatriz Nascimento e Abdias do Nascimento.

O historiador Marlon Marcos, professor da Unilab, lembra que a difusão internacional de elementos periféricos já aconteceu com a literatura de Jorge Amado e o Cinema Novo, que foram acusados de estetizar a pobreza. Ele acredita que hoje há um entendimento maior de que a favela produz cultura, arte e filosofias. No entanto, questiona se o Brasil valoriza internamente o que produz ou só celebra quando é aplaudido por outros países, afirmando que o espírito colonial ainda nos define.

Claudio Leal conclui que a projeção mundial do futebol, cinema, música, literatura e artes plásticas impacta a mentalidade brasileira, gerando um orgulho íntimo que faz pensar nas possibilidades do país, tanto as realizadas quanto as não cumpridas. Para ele, a "pátria de chuteiras" permite que o mundo conheça os "dons em excesso" do brasileiro toda vez que ele deixa de agir como um "narciso às avessas".

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