Brasil: Criatividade e Força no Mapa-Múndi

O Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2026, que começa no sábado, 13 de junho, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O momento reacende a discussão sobre o "complexo de vira-latas", termo criado pelo cronista Nelson Rodrigues em 1958 para descrever a sensação de inferioridade do brasileiro perante o resto do mundo.
Para o jornalista Claudio Leal, doutor em história, teoria e crítica de cinema pela ECA-USP, uma das maiores virtudes do Brasil é a convivência entre uma cultura popular de alto nível e problemas como a concentração de renda e a violência. "A beleza nada fácil de suas contradições é o que o Brasil tem a oferecer", afirma.
Nos últimos anos, o país conquistou reconhecimento internacional em diversas áreas. No cinema, "Ainda Estou Aqui" venceu o Oscar de melhor filme internacional, e "O Agente Secreto" foi indicado em várias categorias, com vitória no Globo de Ouro. Na música, Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global. Na literatura, a escritora Ana Paula Maia é finalista do International Booker Prize.
Nas artes plásticas, a pintora Marina Perez Simão ocupa o 85º lugar no Hiscox Artist Top 100. O Brasil subiu duas posições no Global Soft Power Index 2026, ranking de influência internacional. Em 2025, o país foi eleito Creative Country of the Year no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions e foi anunciado como País de Honra do Marché du Film, em Cannes.
Na moda e beleza, a Granado tem dez lojas próprias no exterior, em países como França, Inglaterra, Portugal e Estados Unidos. A Farm opera lojas nos EUA, França, Itália, Dubai, Argentina e México.
O historiador e antropólogo Marlon Marcos, professor da Unilab, lembra que a difusão internacional de elementos periféricos já ocorreu antes, como com a literatura de Jorge Amado nos anos 1940 e 1950 e com o Cinema Novo. "O que acontece atualmente é que estamos entendendo com mais força que a favela produz cultura, arte e filosofias", afirma.
Julio Ludemir, idealizador da Festa Literária das Periferias (Flup), pondera que as premiações recentes, como as de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, representam um Brasil muito particular. "Estamos falando de dois homens brancos heterossexuais", diz. Para ele, o Brasil periférico, negro e indígena terá mais chances de sucesso internacional com políticas de Estado que promovam o intercâmbio cultural.
Claudio Leal complementa que não há como desconsiderar o impacto da projeção mundial do futebol, do cinema, da música e da literatura na mentalidade brasileira. "Trata-se de um orgulho íntimo que nos faz pensar nas possibilidades do país – aquelas realizadas e as inúmeras não cumpridas", conclui.


