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Novo boom da literatura latino-americana

Por Romances e Leituras · · 3 min de leitura
Novo boom da literatura latino-americana
Autora: Gabriela Wiener

O crescente interesse por livros de autores latino-americanos no Brasil tem sido notado em livrarias, feiras e clubes de leitura. O movimento é visto como um reconhecimento cultural e uma busca por identidade regional. Editoras brasileiras têm aumentado a publicação de títulos da região, e grupos de leitura dedicados ao tema atraem leitores interessados em narrativas que abordam memória, amor, família e diversidade sob uma perspectiva latina, distante dos paradigmas norte-americanos e europeus.

Para a mediadora de leitura Beth Leites, o Brasil está descobrindo obras de grande qualidade, impulsionadas especialmente pela literatura escrita por mulheres. Ela afirma que o país está entendendo que faz parte da América Latina. Beth criou o clube de leitura "Soy loco por ti, América", na livraria Ponta de Lança, em São Paulo, focado exclusivamente em autores latinos.

Busca genealógica

No livro "Exploração", a peruana Gabriela Wiener investiga a história de seu tataravô, Julio C. Tello, a partir de uma carta em que ele anunciava a intenção de saquear sítios arqueológicos para museus estrangeiros. A autora o apresenta como um agente do colonialismo interno, que ajudou a retirar tesouros do país. A obra, que venceu os prêmios Jabuti e Oceanos no Brasil, mistura autobiografia e ensaio para discutir a herança colonial.

A infância no banco de trás

Em "Um, dois e já", a uruguaia Inés Bortagaray narra uma viagem de carro em família pela perspectiva de uma menina no banco de trás. A história recria a infância como um momento de observação, em meio a disputas e silêncios que remetem ao período da ditadura no Uruguai. A narrativa usa humor e ironia para contornar o medo, sem apagar o contexto político.

Quem quer ser mãe?

A mexicana Guadalupe Nettel, em "A filha única", entrelaça quatro histórias de mulheres que lidam com a maternidade de formas diferentes. O romance aborda temas como a decisão de não ser mãe, o luto antecipado e a exaustão, sem idealizações. A obra convida a pensar a maternidade como uma experiência plural, marcada por fragilidades e coragem.

Aprendizagem e improviso

O chileno Alejandro Zambra, em "Literatura infantil: Cartas ao filho", registra a chegada de seu primeiro filho aos 42 anos. O livro reúne cartas e crônicas sobre a descoberta da paternidade, revisitando a própria infância e a relação com seu pai. A narrativa aborda a paternidade como um aprendizado improvisado, com ternura e ironia.

O amor como equívoco

Em "Fogo nos olhos: Crônicas sobre o amor e outras fúrias", o argentino Pedro Mairal explora o amor como um campo de contradições. As crônicas tratam de relações que começam, se desgastam e se reinventam, marcadas por desejo, ciúme e rotina. Com humor seco, o autor expõe a fragilidade dos vínculos contemporâneos.

Entre escombros

O venezuelano Rodrigo Blanco Calderón, em "Simpatia", narra a história de um homem que, durante a crise na Venezuela, herda a missão de transformar a mansão do sogro em um abrigo para cães abandonados. O romance usa o cenário de ruína para falar sobre um país em erosão, onde as relações se desfazem. Os animais espelham o desamparo humano, e o livro aponta para a ética de continuar cuidando mesmo quando tudo parece desmoronar.

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