Forró em Festa Junina: do pé-de-serra ao piseiro

O clima de Festa Junina já tomou conta das ruas, das praças e dos corações. Na vestimenta, camisa xadrez, chapéu de palha e botas. À mesa, as delícias típicas de São João. Para aquecer o corpo, vinho quente e quentão dividem espaço com o calor da fogueira nas noites frias de outono e inverno. Agora pense na trilha sonora que acompanha essa cena. É bem provável que o forró surgiu na sua mente.
Ao som da zabumba, do triângulo e da sanfona, o gênero se tornou um dos símbolos mais marcantes das festas juninas. Nascido no Nordeste, o forró atravessou fronteiras, conquistou o país e, ao longo das décadas, ganhou novas sonoridades sem perder suas raízes.
Para celebrar essa tradição musical, a Vida Simples reuniu uma seleção de artistas que representam diferentes fases e vertentes do forró. Do pé-de-serra do eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, ao piseiro popularizado por João Gomes, a lista percorre estilos, gerações e histórias que ajudaram a manter o gênero vivo e em constante renovação.
Cada artista vem acompanhado de uma música para entrar no clima da quermesse. Dois pra lá, dois pra cá… Não tem segredo. O importante é celebrar.
Luiz Gonzaga é o maior ícone do forró. O pernambucano levou a cultura musical nordestina para todos os cantos do país, popularizando ritmos como o baião, o xaxado, o xote e o forró pé-de-serra. Com suas canções, transformou em música as paisagens, os costumes, as alegrias e as dores do Nordeste.
Sivuca, paraibano, foi outro nome fundamental. Sanfoneiro desde a infância, multi-instrumentista, compositor e arranjador, levou a música nordestina para além das fronteiras brasileiras. Apresentou-se em diversos países e colaborou com artistas de diferentes nacionalidades.
Dominguinhos, discípulo de Luiz Gonzaga, deu continuidade ao legado do Rei do Baião. Com talento para a composição e uma sanfona inconfundível, transitou entre o forró, a MPB e outros gêneros. Canções como “Eu Só Quero um Xodó” eternizaram seu nome.
Geraldo Azevedo, pernambucano, construiu uma obra que passeia entre o forró, a MPB e a música regional. Suas composições e interpretações delicadas fizeram dele um grande representante da música nordestina contemporânea.
Alceu Valença, conterrâneo e parceiro de Geraldo Azevedo, traduz a diversidade cultural do Nordeste. Em sua obra, o forró dialoga com frevo, maracatu e rock. Canções como “Anunciação” e “Morena Tropicana” embalam festas juninas de norte a sul.
Flávio José, paraibano, é um dos grandes guardiões do forró tradicional. Com sua sanfona e letras sobre amor, saudade e vida no sertão, tornou-se presença indispensável nos festejos juninos.
Elba Ramalho, paraibana, teve papel fundamental na popularização do forró. Ao longo de décadas, combinou tradição e modernidade, levando a força da cultura nordestina para grandes palcos.
A banda Falamansa, surgida no fim dos anos 1990, aproximou o forró universitário do grande público. Com letras leves e românticas, conquistou espaço nas rádios e apresentou o gênero a uma nova geração.
A parceria entre Mariana Aydar e Mestrinho representa o encontro entre tradição e renovação. Juntos, aproximam o forró de novos públicos, valorizando suas raízes sem abrir mão de abordagens contemporâneas.
João Gomes, um dos fenômenos recentes da música brasileira, levou o piseiro a patamares inéditos de popularidade. Nascido em Pernambuco, conquistou milhões de ouvintes ao unir elementos tradicionais do forró a uma sonoridade moderna.


