Toy Story 5: lições de pertencimento e vida offline

Nova animação da Pixar fala sobre pertencimento, autoestima e a importância de lembrar que a vida também acontece no offline. Em 1995, Toy Story foi lançado com uma trilha sonora que encantou gerações. Trinta anos depois, o quinto longa-metragem da franquia parece resgatar esse espírito de cuidado para ajudar as crianças a viverem os desafios da infância na era da tecnologia.
A história acompanha Bonnie, que, tímida demais para falar com outras crianças pessoalmente, conta aos pais sobre a dificuldade de fazer amigos. Preocupados, eles decidem comprar um tablet infantil que promete aumentar a vida social dos pequenos por meio de chats e jogos em uma espécie de rede social.
Logo de cara, Bonnie faz três amigas. O problema é que, para elas, brincar com bonecos é algo infantil. A personagem acaba deixando Jessie, Buzz e os outros brinquedos de lado para ficar online e não sofrer bullying das novas colegas.
Dessa vez, a trama principal não foca na disputa pelo posto de favorito, nem no medo de ser descartado, mas na necessidade de salvar a criança que amam para que ela não viva uma infância inteira no modo automático provocado pelo uso de telas.
Liberdade de saber o próprio valor
Reparar na mudança de comportamento de Woody parece algo quase inevitável. Antes, a busca por validação externa moldava seu senso de valor. Com mais maturidade, Woody parece ter alcançado a liberdade. Sem a necessidade de pertencer a alguém, ele decidiu viver com os amigos que ama e ajudar outros brinquedos porque sente alegria em ser útil.
O afeto pode continuar
Quando Jessie retorna à casa onde viveu com a antiga dona, as memórias que a fazem ter medo do abandono parecem retornar. Ao correr em direção à árvore onde as duas passavam as tardes, a personagem descobre um pedaço da história que desconhecia. Uma caixa com fotos revela que sua antiga dona deu à filha o nome de Jessie, em homenagem à boneca de infância.
Pertencer não deve custar a identidade
Com o desejo de pertencer, Bonnie esconde os gostos pessoais e adota interesses que não lhe trazem felicidade genuína. É a amizade com Blaze que, sem cobranças e baseada em afinidades reais, devolve a cor aos dias e a faz retornar para a própria essência.
Tecnologia entretém, brincar transforma
A cena em que Jessie passa a noite apertando os botões do Amigo Rolinho para ganhar um jogo elucida a diferença entre realizar algo que traz um profundo sentimento de felicidade daquilo que apenas entretém. Na cena seguinte, quando Bonnie pega os brinquedos, há um contraste claro. Eles são “incompletos”, e é necessário que ela utilize a imaginação para criar uma narrativa.
A animação não se propõe a criar uma guerra contra a tecnologia, mas lembra que ela deve ser utilizada com equilíbrio, e não como mediadora da vida humana.


